domingo, 31 de julho de 2011

A internet move o planeta e a cultura move a alma


(Escrito em 14/09/2008)
Queridos colegas de todos os gostos
Por motivos tais que não se explicam, sempre tive uma grande admiração pela cultura popular. Independentemente de como ela se manifesta, se através da música, dança, religiosidade, artesanato ou outra forma qualquer, sou um admirador incondicional de tudo aquilo que vem da tradição das gentes simples. Uma das coisas que mais me admiram na cultura popular é a sua perpetuação ao longo do tempo, mesmo quando é considerada uma arte marginal, tendo não apenas que sobreviver à falta de apoio, mas, muitas vezes, tendo que sofrer perseguições como já ocorreu com o samba e a capoeira.
Há uns dias atrás um amigo-irmão me mandou uma cantiga de viola que resolvi compartilhar com vocês. Pude entender que a cantiga foi gravada num festival de violeiros, evento que periodicamente ocorre em muitas cidades do nordeste.
Trata-se de uma poesia em decassílabo. Esta modalidade de composição tem algumas características por demais interessantes e que em linhas gerais são:
1 - A música é formada por estrofes com dez versos cada uma e cada verso tem dez sílabas, senão não seria decassílabo, né?
2 - O violeiro recebe um "mote" que serve como tema, ao mesmo tempo que estabelece parâmetros de metria e rima. Este por sua vez é formado por dois versos, que deverão ser repetidos ao fim de cada estrofe.
3 - Se dividirmos a estrofe em duas partes (A e B) de cinco versos cada parte, as rimas se dão sempre na seguinte seqüência:
3.1 - Na primeira parte (A) o primeiro verso rima com o quarto e com o quinto enquanto o segundo verso rima apenas com o terceiro;
3.2 - Na segunda parte (B) o primeiro verso rima com o segundo e com o quinto, que faz parte do próprio "mote", enquanto que o terceiro verso rima apenas com o quarto, que também já foi determinado pelo "mote", constituindo-se numa seqüência de rimas inversa a da primeira parte, ou seja, enquanto na parte A o primeiro verso rima com os dois últimos, na parte B o último verso rima com os dois primeiros.
4 - Se na parte A o cantador tem uma relativa liberdade de criação, na segunda parte ele está preso ao "mote".
Os repentistas de viola, como a maioria dos artistas populares, normalmente não têm muito acesso a recursos de diversas naturezas. Aliado ao fato de que a poesia é cantada de improviso, sem que haja tempo para um trabalho mais elaborado. Logo, não há como não admirar a profunda capacidade desses inigualáveis artistas.
Vale apenas lembrar que a sílaba poética não é igual à sílaba gramatical, ou seja, duas ou mais sílabas podem ser pronunciadas num só impulso, de maneira que este conjunto pode contar como se fosse apenas uma sílaba. Exemplo disto está no mote oferecido na poesia que foi:
O planeta movido a internet
É escravo da tecnologia.
O termo "movido a" deverá ser pronunciado como "mo-vi-da".
Terminadas as explicações vamos à composição de Raimundo Nonato e Nonato Costa.
A todos uma boa semana, com muita saúde paz e poesia.

Virgílio Agra.

O Planeta Movido a Internet é Escravo da Tecnologia


Os Nonatos


O visor como tela de TV,
O teclado acessível como book
Pra maiúsculo ou minúsculo é Caps "Look" (Lock)
Pra mandar imprimir é Control P
Com os micros' Samsung e LG
e os programas que a Apple financia
A indústria da datilografia
nunca mais vai fazer máquina Olivetti
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Quem se pluga em milésimo de segundo
E se conecta ao portal e seus asseclas
Basta apenas tocar numa das teclas
que o visor nos transporta a outros mundos
Desde a terra dos solos mais fecundos
Ao espaço onde o vácuo se inicia
Quem formata depois cola, copia
e prende o mundo na grade de um disquete
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia

A indústria se auto-destruindo
Descartou o compacto e LP
Veio o surto da febre do CD
e DVD mal chegou e já está saindo
MD não há mais ninguém pedindo
Nu''a DAT gravar ninguém confia
Fita BASF tem pouca serventia
e ninguém quer mais nem ver videocassete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Brasil SAT é mais uma criação
que nos nossos vizinhos deu insônia
O Sivam espiona a Amazônia
evitando que haja outro espião
É por via satélite a transmissão
que não tem transmissão por outra via
Uma antena seqüestra a sintonia
pra DirecTV, Sky e Net
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Transatlânticos no mar fazem cruzeiros
E pelos micros das multinacionais
Hoje tem conferências virtuais
com os executivos estrangeiros
O email é correio sem carteiros,
tanto guarda mensagem como envia
Os robôs usam chip e bateria
e videogame é brinquedo de pivete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Cibernética na prática e no pape
deixa os seres online e ganham IBOPE
Com Word tem Palm e laptop
e ainda mais PowerPoint e Excel
É possível quem mora em Israel
pelo Messenger teclar com a Bahia
Se os autômatos ganharem rebeldia
tenho medo que a máquina nos delete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Pra prever terremotos e tufões
os sismógrafos têm números numa escala
E o trem-bala é veloz como uma bala
numa linha arrastando dez vagões
No Japão e na China as construções
já suportam tremor e ventania
Torre, ponte, edifício, rodovia
são perfeitos do jeito da maquete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Nosso pouso na lua foi suave,
um robô foi a Marte e se deu bem
Estão querendo ir ao Sol, mas o Sol tem
de calor um problema muito grave
Mas a NASA não tem espaçonave
que suporte essa carga de energia,
Se for feita de fibra, se desfia,
e de alumínio o monstrengo se derrete
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Motorola trocou técnica e conselho,
Nokia e Siemens galgaram patamares
Já estão fora de moda os celulares
que têm câmera e visor infravermelho
Reduzindo o tamanho de aparelho,
a Pantech fez mais do que devia
Que a memória de um chip não podia
ser mais grossa que a lâmina de um Gillete
E o planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Hoje a Bombardier não fere as leis
e a Embraer mãe de Sênecas e Tucanos
Invísivel aos radares há dois anos,
já existe avião que a Sukhoi fez
É da Nasa o XA-43
que voando tem mais autonomia
Um piloto automático opera e guia
o Airbus e o 747
O planeta movido a internet
é escravo da tecnologia

Obs 1: A transcrição desta obra prima da cultura popular foi obtida no site http://letras.terra.com.br/os-nonatos/985025/
Obs 2: Esta composição também está disponível no youtube através do link http://www.youtube.com/watch?v=HeiSdc83YQ8.



segunda-feira, 6 de junho de 2011

Conversa do além




(Escrito em 07/09/2008)


Grandes Colegas


O mundo dá muitas voltas e às vezes dá cambalhotas.
Vocês já ouviram falar na Serra da Barriga? Foi lá que Zumbi reinou, comandando o Quilombo dos Palmares, o primeiro reino negro das Américas, ou devo dizer reino afro-descendente? Polêmicas terminológicas a parte, para quem não sabe, a Serra da Barriga localiza-se no município de União dos Palmares, zona da mata norte do estado de Alagoas. Pois foi lá que na semana passada surgiu a notícia que um defunto mandou uma carta do além. O mais espantoso é que na carta, o ex-prefeito da cidade pedia votos para o seu antigo vice-prefeito, que assumiu o cargo após o seu falecimento e hoje concorre a reeleição. Imaginem só que confusão. A carta, psicografada pela viúva, causou polêmica não apenas no meio político como no meio religioso, se é que se pode separar um do outro.
Eu fico imaginando se o mais ilustre defunto do município, o Zumbi dos Palmares, resolvesse mandar uma missiva para quem ele escreveria? Está aberta a temporada dos palpites, mas eu acho que ele escreveria para o Husseim... Que Husseim? Ora essa, o Barack! O Barack Husseim Obama, que pode vir a ser o primeiro presidente "negro" dos Estados Unidos da América, lá não existe a polêmica terminológica. Para conversar com o outro ilustre Husseim, o Saddam, ele não iria precisar de intermediários, lá no além eles poderiam sim, ter altos papos sobre as voltas e reviravoltas da história. Sobre como cabeças se levantam... e rolam. Coisas da história.
E falando em voltas, ontem resolvi dar uma volta com minha esposa e filha no Parque Municipal de Maceió, uma Área de Preservação Permanente coberta com mata atlântica no meio da cidade. Apesar de alguns probleminhas, como o lixo da vizinhança que as chuvas arrastam para dentro do parque, fizemos um passeio agradável e pudemos até ver jacarés vivendo livres na região, mas tive uma surpresa quando li numa daquelas plaquinhas que identificam as árvores onde estava escrito: Sucupira "Bowdichia virgilioides".
Fiquei orgulhoso em saber que meu nome batiza uma árvore de madeira nobre, mas tendo em vista o tipo de correspondências que têm circulado recentemente nas redondezas, não me espantaria nada receber uma carta de Odorico Paraguaçu, lá do cemitério de Sucupira.
Colegas de todas as crenças, ao mesmo tempo em que desejo a todos uma ótima semana, gostaria de enviar umas imagens do meu querido estado, um convite para que venham conhecê-lo e uma questão: Seria por conta dessas imagens que Zumbi resolveu instalar seu reino por aqui?


A todos um grande abraço, muita saúde e paz,


Virgílio Agra.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eu vou comer até cair. Me dá, um dinheiro aí.




(Escrito em 31/08/2008)


Colegas de todas as ideologias
Na semana que se passou estava eu e minha esposa se deleitando com o maior programa de comédia da televisão brasileira, o horário de propagada eleitoral gratuito, e eis que no meio de muitos "sinceros e objetivos" pronunciamentos de candidatos denominados de "Fuscão", "Ficha-limpa" e "Geléia", e outros que se apresentavam armados de vassouras (eu acho que já vi isso na história recente desse país), uma candidata se apresentou de maneira inquestionavelmente inusitada.
Num ritmo frenético daqueles que têm pouco tempo para transmitir um discurso decorado a dita candidata começou dizendo a cidade onde nascera e continuando disparou:
- Minha mãe engravidou 22 vezes, meu pai se aposentou com 36 anos de idade por invalidez...
Vééééiiioooo! Eu tomei um susto que quase caí para trás. Eu nunca imaginei que o "crescei e multiplicai" pudesse provocar invalidez. Do jeito que a mulher falou o raciocínio lógico fechou o circuito e a conclusão foi direta, do tipo vapt-vupt. Imaginem só? E se de repente essa modalidade de aposentadoria pega? Não tem previdência social que resista. Vai quebrar de um jeito que vai "ficar do pó pro bagaço". E se a esposa ficar com medo de inutilizar o marido como é que fica a humanidade? Talvez surjam soluções do tipo "marido de aluguel", onde um entra com o esforço físico e o outro com a paternidade, garantindo-se assim a procriação e a assistência duradoura à família. Eu mesmo é que não quero saber dessa conversa, morro "tronxo" (torto) mas não largo o osso... Nem a carne.
Pois é, colegas, ao longo dos últimos 2 anos e meio investi muitas horas em estudo, tive uma estada na cidade maravilhosa e hoje estou de volta para casa com as esperanças renovadas e finalmente no último dia 27 completei meu primeiro ano como servidor do Poder Judiciário Federal. Gostaria de agradecer a todos aqueles que de coração me apoiaram ao longo dessa jornada e dizer que vocês fizeram para mim toda a diferença.
Ao mesmo tempo em que me despeço desejando uma boa semana para todos presto um merecido tributo à cidade maravilhosa.
Saúde e paz,
Virgílio Agra.

sábado, 28 de maio de 2011

Apenas um guerreiro descalço conquistou Roma


Escrito em 24/08/2008
Colegas de todas as cores, origens, gêneros e culturas
No momento em que se comemora a conclusão dos Jogos Olímpicos de 2008, no momento em que todos comentam os lances mais belos e os atletas espetaculares eu volto os meus pensamentos para a prova que para mim é a mais importante modalidade esportiva que existe, a maratona.
A maratona é uma das mais democráticas provas esportivas, enquanto que noutras modalidades os competidores participam de uma seqüência de provas eliminatórias, sendo a final disputada apenas por uma elite. Na maratona todos correm juntos, os famosos e os anônimos, os candidatos ao título e os azarões. Graças ao seu alto grau de dificuldade tem sido desde o seu nascedouro e ao longo de toda a história associada a inquestionáveis atos de heroísmo. A maratona pelas suas peculiaridades permite que o competidor com profunda força de vontade possa sobrepujar aquele que parte para a competição equipado apenas com a força bruta.
Dentre os diversos heróis das maratonas o maior de todos é para mim o etíope Abebe Bikila, mas para entendermos o porquê dessa opinião é preciso que conheçamos um pouco da história do seu país.
No início do século XX, após a Primeira Guerra Mundial, foi criada a Liga das Nações, que se propunha a resolver através da diplomacia as disputas entre os diversos países. Um dos seus membros, a Etiópia, era uma monarquia e o único país da África que havia escapado da cobiça das potências européias, apesar de estar cercada por colônias, dentre elas as colônias italianas da Eritréia e da Somália. Nessa mesma época, a Itália via a ascensão de Benito Mussolini que prometia restaurar a antiga glória do império romano. No entanto, incapaz de enfrentar países que com certeza tinham capacidade de se defender, o ditador italiano resolveu atacar um dos países mais pobres da África.
Aproveitando-se de um incidente ocorrido num posto fronteiriço, Mussolini, que se considerava a encarnação do César, invadiu a Etiópia em 03 de outubro de 1935 com mais de 200.000 homens equipados com fuzis modernos, milhares de metralhadoras, centenas de canhões, tanques e aviões e não satisfeito com tamanho poderio bélico, usou gás venenoso, uma arma banida pela Liga das Nações. A invasão que se esperava ser um passeio, estendeu-se por mais de 7 meses e custou milhares de vidas de ambos os lados. Imediatamente o imperador da Etiópia Haile Selassie apelou para a Liga das Nações que um mês e meio depois decretou sanções econômicas contra a Itália baseados no artigo 16 da sua Carta Constitutiva. Estranhamente empresas americanas continuaram vendendo petróleo para a Itália, apesar do governo americano ser integrante da Liga. No seu país Haile Selassie comandou heroicamente a resistência ao invasor em batalhas em que muitas vezes as armas usadas não passavam de lanças e pedras que eram atiradas do alto das montanhas. Finalmente em 05 de maio de 1936, ano das Olimpíadas de Berlim, as tropas italianas entraram em Adis Abeba, capital da Etiópia, após uma batalha comandada pelo próprio imperador, onde as tropas etíopes totalizavam menos 10% do número de combatentes invasores. Derrotado, o Négus (rei dos reis) Haile Selassie exilou-se em Londres e de lá partiu para Genebra, na Suíça, para protestar contra a invasão do seu país e invocar o princípio da Segurança Coletiva, segundo o qual a agressão a um dos membros da Liga seria uma agressão a todos os seus membros. Em junho de 1936 um homem negro, baixo, portando uma vasta barba, uma capa preta sobre os ombros e muita dignidade na alma proferiu um belo discurso na cambaleante Liga. Após a leitura do discurso, proferido em aramaico e ao som de vaias da delegação italiana, 25 membros se abstiveram (se acovardaram), 23 votaram contra (também se acovardaram) e apenas o próprio Selassie votou a favor da Etiópia. A covardia da Liga decretara então, que reconhecia a conquista do reino do Négus. Três anos após a fracassada sessão da Liga das Nações explodia na Europa a Segunda Guerra Mundial, concretizando-se as proféticas palavras do governante etíope no seu discurso, "Hoje somos nós, amanhã serão vocês."
Em 1960 durante as olimpíadas de Roma um novo capítulo desta história foi escrito. A maratona neste ano foi disputada pela primeira vez à noite, num percurso que foi demarcado em toda sua extensão por guardas italianos portando tochas. Quando o primeiro colocado na maratona entrou no estádio para dar a volta olímpica e cruzar a linha de chegada para espanto de todos, o atleta era um negro, primeira vez que isso ocorria na história, e ainda por cima correndo descalço. Com certeza, quando os alto-falantes anunciaram tratar-se de um etíope muitos devem ter se surpreendido, mas quando o mundo soube que se tratava de um ex-pastor de ovelhas e um capitão da Guarda Real do Imperador Haile Selassie, tenho certeza que houveram defuntos que se remexeram no túmulo.
Abebe Bikila escreveu o seu nome na história do esporte mundial como o primeiro homem a ganhar duas vezes a maratona. A primeira vez em Roma e a segunda em Tóquio quatro anos após, e só não ganhou a maratona da Cidade do México em 1968 porque fraturou um pé. Em ambas as vezes estabeleceu recordes mundiais, sendo que em Roma cruzou a linha de chegada quatro minutos antes do segundo colocado. Sendo questionado sobre a sua estratégia durante a corrida, Bikila declarou que estabeleceu como ponto de referência para a sua arrancada final rumo à vitória o obelisco de Axum, monumento que fora retirado da Etiópia pelos italianos quando da ocupação do país e que fora posicionado a 1,5 quilômetros de distância do ponto de chegada. Disse também que ainda tinha fôlego para correr mais 10 quilômetros após concluído o percurso da prova. Quando correu em Tóquio em 1964, Bikila, que se submetera a uma cirurgia de apêndice 5 meses antes, usou sapatilhas apenas por imposição da organização dos jogos porque ele corria melhor descalço do que calçado.
Para o povo da Etiópia o famoso maratonista tem uma importância que transcende o âmbito do esporte e representa um marco na luta contra a intolerância, a discriminação, a prepotência e a arrogância de todos aqueles, nações ou indivíduos, que usando da força militar, política ou econômica tentam humilhar e submeter os demais à sua vontade. Como não podia deixar de acontecer, a vitória de Abebe Bikila na maratona das Olimpíadas de Roma de imediato trouxe à memória do povo etíope a vergonhosa invasão sofrida pelo seu país, só que a partir de então o povo etíope pôde dizer de peito aberto: "MUSSOLINI PERDEU UM EXÉRCITO PARA CONQUISTAR ETIÓPIA, MAS APENAS UM GUERREIRO DESCALÇO CONQUISTOU ROMA".
No ano seguinte às olimpíadas da Cidade do México, Abebe Bikila sofreu um acidente automobilístico com o Volkswagen que recebera do governo do seu país como prêmio, ficou paraplégico e a partir de então passou a participar de provas esportivas para deficientes físicos, que mais adiante resultaram nas para-olimpíadas de hoje. Faleceu em 1973, vítima de derrame cerebral. Compareceu ao seu funeral nada menos do que 70.000 pessoas que foram reverenciar o grande herói nacional.
Em 1974 Haile Selassie, o 225º imperador de uma dinastia que remontava o Rei Salomão e a Rainha de Sabá, foi deposto por um golpe militar vindo a falecer em agosto do ano seguinte. No ano de 2000 os seus restos mortais foram retirados de uma tumba no porão do palácio presidencial e finalmente enterrados com todas as honras na Igreja Ortodoxa Etíope, cerimonial que contou com a presença da família do músico Bob Marley, grande admirador do monarca.
Colegas de todas as origens, gostaria de aproveitar a oportunidade para parabenizar aos atletas brasileiros que defenderam as cores do nosso país lá no oriente e, falando em monarquia, parabenizar um nadador que tem nome de imperador, parabenizar também aquelas meninas do vôlei que jogam para danar e aquela mulher que dá cada pulo da peste e tem nome de caldo de galinha.
Uma boa semana para todos e que descalços ou calçados tenhamos força para vencer cada quilômetro da maratona da vida.
Saúde e paz,
Virgílio Agra
PS: O texto a seguir é tido como extraído do discurso de Haile Selassie na Liga das Nações, mas infelizmente não posso atestar a sua autenticidade. Quem sabe alguém tenha acesso a uma fonte que possa nos dar a certeza?
"Eu, Hailé Sélassie, Imperador da Etiópia, estou aqui para reclamar justiça para com meu povo, bem como a assistência que há oito meses passados prometeram a ele, quando , na ocasião, 50 nações concordaram que uma agressão, violando os tratados internacionais, havia sido cometida contra ele. Não há precedente de um chefe de estado ter vindo falar nessa assembléia, como não há precedente de um povo ser vítima de tal injustiça, estando no presente abandonado e colocado em risco de vida por seu agressor. Igualmente nunca se viu o exemplo de um governo proceder o sistemático extermínio de uma nação por meios bárbaros, violando as mais solenes promessas feitas pelas nações da terra de não usar contra seres humanos inocentes as injurias do gás venenoso. É para defender um povo que luta pela sua antiga independência que o chefe do Império Etíope veio até Genebra para cumprir com o seu dever, depois dele mesmo ter lutado no comando dos seus exércitos.
Peço a Deus Todo-Poderoso que ele poupe as nações do terrível sofrimento que recentemente infringiram ao meu povo, sofrimento que os que me acompanham aqui foram as testemunhas horrorizadas. É meu dever informar aos governos reunidos em Genebra da responsabilidade que eles têm sobre as vidas de milhões de homens, mulheres e crianças, do perigo mortal a que eles estão submetidos, descrevendo aqui o destino que sofre a Etiópia. O governo italiano não faz a guerra somente contra os guerreiros, mas contra toda a população, ainda que afastada das hostilidades, com a intenção de aterrorizá-los e exterminá-los".
"...Eu jamais acreditaria que todas as nações do mundo, entre as quais as mais poderosas da terra, pudessem acovardar-se diante de um único inimigo. Mas, diante de Deus, nenhuma nação é melhor do que outra".
E profetizando terminou:
"Que resposta devo levar ao meu povo? Hoje somos nós, amanhã serão vocês."

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Rui Barbosa e os patos

(escrito em 17/08/2008)
Colegas de todas as crenças.
Na semana passada contei uma história onde uma simples palavra poderia ter mais de uma interpretação, afinal de contas isso não é muito raro de acontecer, mas imaginem só o que passou pela cabeça de um rapaz que foi roubar nada mais nada menos do que o grande baiano Rui Barbosa.
Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.
Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala forfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
- "Dotô", eu levo ou deixo os pato?"
É colegas, o exercício do vernáculo não é mole não, e eu por enquanto, só levando uma vidinha mansa, domingo com direito a um passeio na praia e um banho em uma das nossas piscinas naturais e para terminar a manhã uma cerveja sem álcool no alto da Ipioca, terra natal do Marechal Floriano Peixoto, desfrutando de uma das paisagens mais bonitas do litoral norte de Alagoas.
Ainda com relação à semana passada, alguns colegas não receberam as minhas saudações caetés, gostaria de confirmar que não exclui ninguém da lista, os extravios se dão por conta das imperfeições da grande net.
Colegas de todas as crenças, mais uma semana se inicia, mais uma oportunidade para o aperfeiçoamento de cada um.
A todos muita saúde e paz... e muita fé.
Virgílio Agra.

PS: Segue abaixo uma pequena sugestão de um poema muito atual de autoria de Cleide Canton e Rui Barbosa na voz de Rolando Boldrin


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Balança mas, por enquanto, não cai


(escrito em 11/08/2008)
Queridos colegas
Na semana que passou, as pessoas que estavam no Fórum de Maceió foram surpreendidas com um abalo no prédio que derrubou pilhas de processos e fez com que portas abertas se fechassem sozinhas. Preocupado com a segurança das mais de mil pessoas entre servidores e clientes que circulam por dia nas dependências do prédio algum magistrado entendeu ser prudente a evacuação do prédio. Em minutos a ordem correu por todas as salas: EVACUAR!!!!! De uma maneira geral, todos pegaram suas coisas e se dirigiram para o pátio de estacionamento para aguardar os acontecimentos, alguns quase correndo, outros caminhando normalmente sem demonstrar maiores preocupações, mas eu soube através da "boca miúda" que uma meia-dúzia de servidores correu para o banheiro já desabotoando as calças... Isso é o que podemos entender como interpretação ao pé da letra.
Pois é colegas e enquanto os prédios balançam, e os pinguins caminham pelas ruas de Jacarepaguá, no litoral caeté até o momento foram localizados 5 pinguins, 4 vivos e 1 morto. Pelo menos, por enquanto, o placar está 4 a 1 para os vivos.
Colegas, uma nova semana se inicia e com ela novas expectativas e novos desafios, espero que todos sejamos capazes de superar todos os desafios e todas as dificuldades, e quando algum de nós pensar que o obstáculo é grande demais para ser vencido lembremo-nos sempre que, em algum lugar, alguém acredita que somos capazes.
Anexo a esta mensagem estou enviando um arquivo de vídeo que espero que vocês possam assistir. Não tem texto nenhum, só música, dança e o sentimento de que o bom e belo está ao alcance de cada um de nós.
A todos, uma ótima semana, com muita saúde e paz,
Virgílio Agra.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Em água que tem pinguim, o mar está para peixe?




(Escrito em 03/08/2008)


Colegas


Não pude deixar de me assustar com uma notícia da última semana, um pinguim originário da Terra do Fogo foi encontrado nadando no litoral de Alagoas.
Tenho que admitir que não é necessário fazer escândalo nenhum, mas sem dúvida nenhuma eu não esperava, ao longo da minha existência, alcançar um evento desta natureza. A única vez que vi um pinguim na minha vida, eu participava de um encontro estudantil durante o inverno em Florianópolis - SC. Um pinguim em águas caetés é sem dúvida nenhuma um evento inesperado.
Segundo ambientalistas isso deve ao aquecimento global, mas segundo o irmão do vizinho da amante de uma "ortoridade" do serviço de imigração, o indivíduo conhecido como Pinguim de Magalhães entrou ilegalmente no Brasil depois que a terra dele pegou fogo, embarcando clandestinamente numa corrente marítima que o trouxe até a Bahia. Soube ainda que o indivíduo de nacionalidade a ser confirmada, se argentina ou chilena, alegou ter vindo a Bahia para visitar o túmulo de um membro da sua família conhecido como Antônio Carlos, falecido a alguns anos atrás. Investigações confirmaram que o imigrante ilegal, após visitar o falecido, também conhecido como AC, passeou tranquilamente pelas ruas do Pelourinho, assistiu ao ensaio de uma banda afro e só retornou ao mar após queimar a boca, digo o bico, ao comer um acarajé apimentado de uma baiana do Largo da Mariquita. Interpelado sobre a sua presença mais ao norte na costa alagoana, o indivíduo disse que com o bico queimando por causa da pimenta resolveu dar um mergulho para se refrescar, mas foi pego por uma corrente que o arrastou contra sua vontade para o local onde foi finalmente localizado e detido. Enquanto o clandestino aguarda sob custódia das autoridades brasileiras a definição do seu processo de deportação, a sua versão dos fatos encontra-se sob investigação, visto que existe a suspeita de que, após a queimação do bico, o mesmo pegou carona na corrente marítima com a intenção de finalmente saciar a fome comendo uma tapioca com leite condensado na praia de Pajuçara, tendo sido detido antes de alcançar o referido local.
Colegas, muita coisa tem sido dita sobre esse assunto, mas uma coisa é certa, quem quiser se banhar nas águas mornas do Nordeste venha logo, antes que os pinguins tomem conta. Aproveitando a oportunidade gostaria que alguém me respondesse:
Em água que tem pinguim, o mar está para peixe?
Que tenham todos uma boa semana com muita saúde e muita paz.


Virgílio Agra.
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