sábado, 20 de abril de 2013

O Urso Preto veio da barca de Noé



Na praça ao fundo era armado o palanque para a banda.
Na foto vêem-se os toneis pintados de branco, usados no balizamento da área da festa.
Ano 1969

Colegas de todos os carnavais.

Lembro-me que lá em Santana do Ipanema, quando eu era menino, na época carnavalesca a prefeitura montava um palco na praça, de frente para um largo e, com mais ou menos uma semana antes, uma banda tocava frevos todas as noites. Com alguns tonéis e cordas isolava-se uma área que à noite era tomada pela população que dançava ao ar livre procurando extravasar a alegria tão presente na alma do brasileiro. Não sei por que e até hoje não consegui entender, o evento era denominado de "Maratona".

Era um programa interessante, as famílias se dirigiam ao local e todos pulavam e dançavam sem distinções de classes. Meus pais me levavam para as Maratonas onde eu me misturava com a multidão, sempre junto de outros meninos da minha idade. Eu me divertia bastante e lembro que, para mim, o ponto alto da noite era quando aparecia o Bloco do Urso Preto. O bloco tinha como personagens principais um homem fantasiado de urso com uma corda amarrada na cintura, sendo conduzido por outro homem que era uma espécie de domador. O urso arremetia em direção à multidão como se fosse atacar e o domador então puxava a corda como se estivesse controlando "a fera". A meninada corria, alguns por medo e outros somente para fazer parte da folia. Eu achava o máximo "entrar na onda do Urso Preto", mas eu jamais imaginava que aquele bloco era uma das mais antigas tradições dos carnavais da minha cidade natal.

Contou-me Tia Ana que o Bloco do Urso Preto foi criado por Seu "Carôla", numa época em que eu não era nem nascido. Eu não conheci o fundador do bloco cujo nome de batismo era Coriolano, mas, provavelmente por conta de vício de linguagem, os matutos chamavam-no de "Cariolano" o que deve ter gerado o diminutivo "Carôla". Contam que ele tinha uma farmácia e, por conta disso, era denominado "farmacêutico". Naquela época, devido à carência e a falta de médicos na região, um "farmacêutico" era praticamente um "dotô". Da cidade ou do campo, bastava o cidadão chegar ao balcão da farmácia, contar o que sentia, o dono da farmácia passava o remédio e o cabra já se sentia melhor.

Nos dias de hoje, onde atrás do trio elétrico só não beija e é beijado quem já morreu e sambista boa é a que tem samba no pé e silicone nos peitos, o carnaval é o produto Made in Brazil mais conhecido no mundo todo, mas o que os foliões de hoje não sabem é que, nos meados do século passado, Santana do Ipanema já desenvolvera a tecnologia de exportação do carnaval.

O Bloco do Urso Preto, com Seu Carôla no comando e um amigo fantasiado, fazia tanto sucesso que, um belo dia, chegou um convite para uma apresentação na cidade de Mata Grande, lá nas serras do sertão alagoano. Convite recebido... Convite aceito. No dia da viagem embarcou num caminhão a agremiação completa: o urso, o domador, a bandinha e o resto do grupo que fazia a parte vocal, cantando a música do bloco. Chegando a Mata Grande a festa logo começou e, pelas ruas da cidade serrana, começaram a cantar a música que era sua marca registrada:

Mas como foi, mas como é
O urso preto veio da barca de Noé.
Mas como foi, mas como é
O urso preto veio da barca de Noé.

Todo mundo já dizia
Que esse urso não saía,
Esse urso anda na barca
Com prazer e alegria.

No carnaval Made in Sertão as famílias mais abastadas abriam suas portas para receberem os blocos de ruas que entravam nas casas e levavam a alegria para dentro dos lares. Era comum cantarem músicas exaltando os anfitriões e era regra o respeito pelo ambiente que os acolhia. E foi assim, subindo e descendo ladeira, entrando nas casas de pessoas amigas que o Urso Preto era acolhido na cidade e retribuía a todos com prazer e alegria. Por onde passava o bloco era recebido com comidas e bebidas, de modo que, enquanto cantavam e dançavam, os seus integrantes iam enchendo a pança com tudo aquilo que lhes era servido. A coisa andava muito bem até que, finalmente, o álcool começou a subir para as cabeças enquanto que as comidas seguiram o seu caminho em direção às profundezas intestinais. Foi nesse período em que o urso que, logicamente, também comia e bebia, aproximou-se de Seu Carôla e bem baixinho falou:

 - Seu Carôla eu quero cagar.

 - Sai pra lá urso - gritou o domador, empolgado com a festa e animado pelo efeito do álcool.

O bloco seguiu cantando em direção a outra casa numa folia que ficava cada vez mais animada. O urso fazendo sua encenação corria em direção aos grupos de pessoas, sendo imediatamente contido por um puxão na corda dado pelo zeloso domador, para alívio das crianças e mocinhas que corriam assustadas com tão horrenda criatura. Chegaram à casa seguinte e o urso mais uma vez aproximando-se do domador repetiu o apelo:

 - Seu Carôla eu quero cagar.

 - Sai pra lá urso - gritou mais uma vez o domador.

A alegria era total. A turma toda cantava, dançava e mais uma vez o urso se aproximou, repetiu o apelo e mais uma vez o domador repeliu a fera até que, em dado momento, começou a subir um cheiro podre na sala do anfitrião e a música foi parando, as pessoas foram se calando, uns começaram a engulhar e Seu Carôla perguntou:

 - Quem é o responsável por isso?

Foi nesse momento que a voz do urso foi ouvida:

 - Foi eu Seu Carôla.

 - Mas rapaz! Como é que você faz um negócio desses na casa do homem?

 - Eu falei Seu Carôla, mas o senhor não ouviu?

Aí, não teve mais jeito, a festa acabou e coube aos integrantes do bloco levar o seu personagem mais ilustre até um riacho próximo para se lavar, em seguida embarcar na carroceria do caminhão e fazer o caminho de volta para casa.

Caros amigos, numa semana em que um terremoto no Japão fez a imprensa esquecer uma guerra na Líbia eu não posso esquecer Leo Bulhões, menino talentoso que esta semana faz aniversário. A todos uma ótima semana com prazer e alegria.

Saúde, luz e paz

Virgílio Agra

domingo, 14 de abril de 2013

Pimenta na sopa dos outros é história


A Usina Apolônio Sales
é uma das componentes do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso.

Colegas de todos os paladares

Numa dessas voltas que esse mundo dá, tive a oportunidade de trabalhar durante alguns poucos anos da minha vida na Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - CHESF, empresa estatal responsável pela geração de energia para todos os estados do Nordeste, exceto o Maranhão. O meu ingresso se deu, como manda a legislação, através de concurso público e desse modo passei a compor o quadro dos Operadores de Instalação da companhia. Trata-se por Instalação, uma usina ou uma subestação e o trabalho de um Operador consiste em acompanhar o funcionamento dessas unidades e intervir sempre que necessário.

Nos tempos em que compus os quadros da CHESF trabalhei na Usina Apolônio Sales - UAS, usina localizada à margem esquerda do Rio São Francisco, no estado de Alagoas. A UAS contava, já naquela época, com um bom sistema de automação, no entanto fazia parte da rotina de trabalho dos operadores, a realização de inspeções constantes das suas instalações. Nestas ocasiões eu me sentia como se estivesse numa terra de gigantes, pois tudo era enorme. Havia pontos que, não importava quantas vezes eu inspecionasse, sempre me provocava admiração. Um desses locais era o chamado Poço da Turbina, lá o Operador ficava num local onde abaixo dele a força do rio girava a turbina e acima da sua cabeça girava um imenso gerador. Ligando uma peça a outra, um eixo vertical de diâmetro tão grande que um homem não conseguiria abraçá-lo. Os parafusos que uniam essas peças gigantescas tinham porcas tão grandes que um adulto não conseguiria segurar duas delas em uma única mão. O barulho era enorme e circulava um ar tão quente que mais parecia uma sauna.

O sistema de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica é algo simplesmente grandioso e, até hoje, considero que a oportunidade de ter feito parte deste todo, foi a satisfação de um antigo fascínio que alimentei desde os tempos de criança. Muitas vezes eu ficava admirado pelo fato de que o trabalho que eu executava lá no sertão da Bahia influenciava pessoas que estavam a milhares de quilômetros de distância. Naquele serviço, máquinas e pessoas tinham que trabalhar em perfeita sincronia e ninguém podia fazer nada sem que fizesse parte de uma manobra previamente estudada.

As recordações que guardo não são compostas, naturalmente, apenas pelas máquinas e grandes estruturas de concreto. O convívio com os colegas, tanto técnicos como engenheiros, me marcaram de tal maneira que precisaria escrever muitas Saudações para que eu pudesse registrar as boas lembranças que guardo até os dias de hoje. 

O quadro de pessoal lotado numa usina é basicamente dividido entre operadores e mantenedores. O pessoal de manutenção trabalha normalmente de segunda à sexta-feira no horário comercial, enquanto os operadores trabalham em regime de turno corrido de seis horas, revezando-se continuamente todos os dias do ano, ininterruptamente. Mas nem sempre foi assim, houve época em que os operadores trabalhavam num turno de 24 horas, até que, gradativamente, este sistema foi sendo alterado até chegar à configuração atual.

No tempo em que os turnos eram longos, de 24 ou 12 horas, a companhia fornecia as refeições para toda a equipe. Nos horários das refeições os Operadores se revezavam e, em duplas, iam se alimentar enquanto os outros tomavam conta do serviço. Nesta época trabalhou como operador um rapaz chamado Reginaldo Barros. Eu tive oportunidade de conhecê-lo socialmente, mas quando comecei a trabalhar na CHESF ele já estava aposentado. Reginaldo foi um bom operador e deixou boas lembranças, mas a sua característica mais marcante era o seu bom humor. O cara era um gozador nato, não perdia uma única oportunidade de pregar uma peça em alguém. Os colegas contavam que naquela época, à noite, era servida uma sopa. Certo dia, Reginaldo foi jantar e, sem que o parceiro percebesse, jogou pimenta em um prato. Em seguida, perguntou se poderia servir ao colega que, ingenuamente, aceitou. Com calma e "zelo" colocou a sopa no prato e ao terminar perguntou:

 - Você quer pimenta?

O coitado sem perceber nada respondeu que sim e Reginaldo colocou umas gotas do condimento, mexeu a sopa e passou o prato. Em seguida colocou sopa para ele próprio e também colocou algumas gotas da mesma pimenta. Quando começaram a comer o colega começou a sentir a boca queimando e disse:

 - Vixe Maria, que pimenta forte!

Romildo sem se abalar continuou a tomar a sopa e ainda colocou umas gotas de pimenta a mais. O colega já suando, a boca ardendo, vendo que o outro colocara mais pimenta só dizia:

 - Danou-se. O homem parece um sabiá.

Falava isso em alusão ao pássaro bastante encontrado no sertão e que tem o hábito de comer as frutinhas maduras das pimenteiras. Eu tenho a impressão que o sujeito tomou a sopa toda para mostrar que era durão, mas quando o mistério foi esclarecido todos deram boas risadas e as astúcias de Reginaldo entraram para a história.

Enquanto isso, nos dias atuais, uma notícia veiculada num telejornal do estado Caeté anunciou o impacto causado na capital pela presença da empresa de construção civil mais sexy do mundo. Vejam como a repórter anunciou a matéria:

 - "Boom da construção civil provoca falta de corretores de imóveis em Maceió".

Pois bem meus amigos, parece que neste carnaval as passistas de bundas e peitos turbinados enfrentaram uma séria concorrência. A todos, espero que tenham tido um bom feriado, que retornem às atividades do dia-a-dia sem ressaca e muitas felicitações às mulheres pelo seu dia.

Saúde, luz e paz

Virgílio Agra

(Escrito em 08/03/2011)

Em 1950 Luiz Gonzaga foi convidado para animar a festa de inauguração da Usina Paulo Afonso I, após o show, pediram-lhe que compusesse uma música exaltando essa grande obra da engenharia nacional. Atendendo o pedido, Luiz compôs a música "Paulo Afonso" que segue aqui:


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Pontes, molas, corações e emoções



Colegas de todos os estados e de todos os estados de saúde.

Sabem aqueles dias em que parece que a bruxa está solta? Pois foi o que aconteceu lá em casa nas últimas semanas. Desde a última edição das Saudações Caetés, enquanto minha esposa fazia um cateterismo e em seguida uma angioplastia com a colocação de dois stents no coração, eu tive a experiência de conviver com uma pneumonia que me deixou quebrado que nem arroz de terceira. De imediato, quero deixar claro que estamos bem e eu já retornei ao meu trabalho normalmente.

Nos dias em que Eliane estava internada veio à minha memória um personagem que conheci há uns anos atrás em situação semelhante. Meu cunhado, seguindo uma tradição familiar, foi submetido a uma cirurgia de ponte de safena e nós o acompanhamos tentando prestar alguma assistência. Durante sua convalescença dividiu o quarto com um senhor, também com problemas cardíacos. Naquelas circunstâncias fomos puxando conversa uns com os outros e eu soube que o cidadão morava na cidade de Delmiro Gouveia, lá no sertão alagoano. Quando perguntei seu nome tive uma surpresa, pois eu já tinha ouvido falar dele por intermédio dos meus pais e Eliane já tinha trabalhado com um filho dele. Disse-lhe de quem eu era filho e ele imediatamente lembrou-se de meu pai, perguntou por ele e, a partir daí, a conversa passou a rolar solta.

Encontros como este são muito raros nas grandes cidades e, para algumas pessoas, isso é coisa de "província", empregando este termo para desqualificar os lugares onde isso acontece como se fosse um palavrão. No entanto, eu gosto muito desses encontros casuais. Naquela circunstância achei muito bom saber que tínhamos que compartilhar o espaço com pessoas que já eram conhecidas.

Seu Cantuária estava internado porque estava com a pressão arterial muito alta, se não me falha a memória sua pressão era 23 por 16. Eram valores tão altos que assombrava a todos nós, menos a ele próprio que não dava a mínima para o que estava acontecendo. Conversa vai, conversa vem, ele olhou para meu cunhado, disse que já tinha feito cirurgia semelhante e de forma muito despreocupada começou a contar como tinha sido a sua recuperação:

 - Eu já fiz essa mesma cirurgia que ele fez. Num se preocupe não que é besteira. Quando eu recebi alta do hospital o médico disse que eu não poderia dirigir e um filho meu foi me levar de carro até Delmiro, mas quando a gente chegou em Arapiraca eu peguei uma briga com ele, tomei a direção do carro e fui dirigindo eu mesmo. Com uma semana, mais ou menos, após minha chegada encontrei um primo meu, o "Urêia".

"Urêia" era serralheiro na cidade de Delmiro Gouveia e, nos tempos em que eu morava nas terras paulafonsinas o conheci como cliente da loja de meu pai, onde ele ia comprar materiais para a sua serralharia. Quando eu falei que conhecia o seu primo, Seu Cantuária se animou mais ainda com a conversa e então continuou:

 - Eu ia passando de moto quando "Urêia" me chamou.

 - Eita Cantuária! Domingo eu vou fazer uma buchada lá em casa e queria lhe convidar, mas você tá desse jeito... num vai poder ir.

 - O que? Num vou poder? Fique sabendo que eu vou sim e tem mais, vou comer da buchada sim sinhô. Eu sou homem pra perder uma buchada?

Apesar da preocupação com meu cunhado que estava com o peito todo costurado de um lado, eu não consegui deixar de rir com o relato desdenhoso de Seu Cantuária. Continuando sua história ele disse:

 - Com uns quinze dias que eu voltei a Delmiro eu tava era trabalhando que num sou homem de ficar parado.

 - O que o senhor faz? Perguntei.

 - Eu conserto caminhão.

Lá para as tantas eu perguntei por que ele estava internado novamente. Na minha pobre inocência, pensei que poderia levá-lo a refletir sobre a forma como conduzia sua própria vida.

 - Tô aqui por que meus filhos me trouxeram. Minha pressão tava alta, aí eu fui no médico e ele examinou. Perguntou um bocado de coisa, aí eu disse pra ele que deve ter sido porque eu tomei rum... Eu gosto mesmo é de tomar cachaça, mas, um dia desses, eu tomei rum e acho que foi isso me fez mal. Aí o médico perguntou se eu tinha tomado uma dose, aí eu disse pra ele que nada, eu tomei a garrafa quase toda, só sobrou tantinho assim.

Concluiu a narrativa gesticulando com a mão e, mostrando o polegar e o indicador, sugeriu o volume de bebida que ficara no fundo da garrafa.

De lá para cá meu cunhado recebeu alta e voltou às suas atividades normais. Quanto a Seu Cantuária, nunca mais tive notícias dele, mas de uma coisa eu tenho certeza, onde quer que ele esteja seu espontâneo será sempre sua marca registrada.

Caros colegas, por entender que pontes e molas são coisas boas somente na área da engenharia, desejo que todos reservem seus corações apenas para as boas emoções. Uma boa semana para todos.

Saúde, luz e paz

Virgílio Agra.


(Escrito em 23/02/2011)

domingo, 17 de março de 2013

Nem só poluição e notícia ruim são capazes de cruzar fronteiras


Playing For Change

Colegas de todos os sentimentos

Esta última semana foi, acredito que para todos nós, um tanto quanto pesada. Parecia uma semana qualquer, daquelas onde temos que cumprir os compromissos habituais como trabalhar, comprar mantimentos no supermercado e ficar aguardando o final de semana para um merecido repouso. Mas, infelizmente, o desenrolar da história não foi exatamente assim. Ao longo da semana as montanhas desmoronaram e as notícias que chegaram das terras fluminenses não foram nada agradáveis.

Lembro-me que, há um ano, o país assistia estarrecido o resultado funesto das chuvas que caíram no estado do Rio de Janeiro provocando, entre outros eventos, desmoronamentos em Angra dos Reis e Morro do Bumba em Niterói, resultando em centenas de mortos em todo o estado. Há seis, meses foi a vez dos estados de Alagoas e Pernambuco ocuparem a atenção da imprensa nacional, quando as enchentes provocadas por alguns rios dos dois estados arrasaram várias cidades. Por sorte o número de mortos não foi tão grande, pois a tragédia ocorreu durante o dia, o que permitiu aos moradores das regiões ribeirinhas fugirem diante do perigo.

Em outras épocas a televisão mostrou tsunamis na Indonésia, mineiros soterrados no Chile, ondas de calor na Europa e mais recentemente inundações na Austrália, lá do outro lado do mundo. Porque será que esses eventos mexem tanto comigo? Talvez seja porque estou ficando velho (e besta naturalmente), talvez porque tenho parentes e amigos em terras d'além mar. Não sei o motivo, mas eu sei que todas as pessoas atingidas pelas forças da natureza têm uma história, têm amigos, têm sentimentos, sonhos para o futuro, alguém esperando em algum lugar. É triste pensar em eventos que, de uma vez só, tiram a vida de muitas pessoas e até de famílias inteiras.

Normalmente, me dirijo a vocês através das Saudações Caetés com histórias pitorescas e às vezes até engraçadas, tentando influenciar positivamente o humor de cada um, pois é isso que me cabe na condição de colega, de companheiro. Mas, desde os últimos dias da última semana, não consigo parar de pensar nos amigos que deixei nas terras fluminenses, pois alguns moram em cidades que foram atingidas pelos desmoronamentos ou têm parentes que lá residem. Lembro-me que, quando as enchentes ocorreram nas terras caetés, recebi vários e-mails e telefonemas de amigos preocupados comigo e meus familiares. É bom saber que tenho pessoas que se preocupam comigo e agradeço a Deus por ter também com quem me preocupar. Mas confesso que a frequência com que esses eventos estão acontecendo me deixam triste, porque a distância ou o tempo que nos separam eu sei administrar, mas o medo de perdê-los não, e, exatamente por causa do carinho que tenho a todos vocês, eu gostaria de puxar a conversa para uma nuance menos funesta do assunto do momento da grande imprensa nacional, afinal de contas, além de poluição e notícia ruim, existe um monte de outras coisas que, felizmente, cruza fronteiras.

Um dia fui presenteado pelo meu compadre Evaldo com um link para um clipe do "iutube", onde tocava uma música composta pelo americano Ben E King. Uma equipe de técnicos de vídeo e áudio gravou diversos artistas de rua de várias línguas, raças e culturas, em dez países diferentes, cantando essa música composta no inicio dos anos 60. Em seguida todas as gravações foram reunidas num único arranjo que encanta não apenas pela beleza da melodia, mas também pelo fato de mostrar que a arte, a beleza e a emoção são capazes de sobrepujar não apenas a barreira do tempo, mas também a da distância, da política, do preconceito e da discriminação. Ademais, a música aborda um tema bastante pertinente às circunstâncias do momento, a força que obtemos uns dos outros. Eu, como profundo apreciador da cultura popular, fiquei encantado, por isso encaminho para vocês logo abaixo, o maravilhoso clipe do Grupo Playing for Change com a bela tradução de Brunno Belesa.

Aproveitando a oportunidade para registrar um forte abraço à minha esposa Eliane e minha irmã Mônica, desejo uma semana com boas notícias para todos.

Saúde, luz e paz

Virgílio Agra

(Escrito em 16/01/2011)


segunda-feira, 4 de março de 2013

Picolé, frio, gelado e doce



Santana do Ipanema - 1966


Colegas de todas as sobremesas

O que significa para cada um de vocês a palavra Maringá? Se eu perguntasse para alguém com idade de ser meu pai, muito provavelmente, ouviria citações à música do médico mineiro, natural de Uberaba, Joubert de Carvalho, composta em 1932. Se eu perguntasse a Carlos Weigert, engenheiro paranaense hoje morando em terras caetés, ou a Rommel Vanderley, engenheiro caeté hoje morando em terras paranaenses, com certeza ouviria que Maringá é uma cidade do noroeste do Paraná. Quantas alternativas são possíveis para esta pergunta eu não sei, mas podem ficar certos todos vocês, Maringá, para mim, é o nome de uma sorveteria que havia em Santana do Ipanema nos tempos que eu era menino.

Diante das sorveterias que temos atualmente, acredito que eu teria certa dificuldade em explicar para alguém, com menos de 30 anos de idade, como funcionava um desses estabelecimentos nos idos da década de 60 e 70. Se o exemplo tomado vier lá das bandas do sertão, aí então a dificuldade passa a ser dobrada. Hoje em dia a gente chega numa sorveteria "selfi sérvice", escolhe se vai usar copinho ou casquinha, empunha aquela colher especial, abre os freezers e tem tanta opção de sabor de sorvete para escolher que às vezes dá até agonia. Atualmente, uma boa sorveteria da capital alagoana ostenta com orgulho um cardápio com mais de 70 sabores, um verdadeiro tormento para os indecisos. Depois de montado o sorvete, o indivíduo passa por uma bateria de opções de coberturas que vai desde farelo de biscoito até chocolate quente. Para completar o trajeto, uma parada obrigatória na estação balança que quantifica na hora o dano feito tanto no orçamento quanto na dieta.

No tempo em que eu usava calças curtas e tinha a cabeça raspada sobrando apenas um tufo de cabelo na testa o negócio era bem diferente. No centro de Santana do Ipanema, bem de frente à praça, havia um prédio com um salão grande. No alto da sua fachada, pintado na parede estava escrito: SORVETERIA MARINGÁ. Porém, o produto mais vendido da casa era mesmo o picolé. Quando eu pegava um trocado entrava na Maringá, me dirigia a um balcão mais alto do que eu e fazia a tradicional pergunta:

 - Tem picolé de que?

O atendente dizia de cor todas as opções daquele dia, ficando bem claro que este número dificilmente ultrapassava a cifra de meia dúzia de sabores. Considerando-se que coco, morango e chocolate nunca saiam do cardápio verbal as demais opções não se constituíam em qualquer empecilho ao processo decisório. O picolé era um produto muito barato e custava apenas alguns centavos. Já o sorvete, além de ser um pouco mais caro, o seu consumo, para mim, era um pouco mais complicado, pois papai nos proibia de comer a casquinha, alegando que aquilo era sujo. Sujo para se comer, mas não era sujo para conter o sorvete que se comia. Dá para entender? Conhecendo a qualidade das casquinhas de hoje faz vergonha admitir que eu comia as similares daquela época, pois além de não terem gosto de nada a consistência era bem parecida com papel, mas não importava, quando o dinheiro dava e eu podia comer escondido...

Apesar da Sorveteria Maringá ser muito bem localizada, acredito que a maior parte das vendas se dava através de meninos que vendiam os picolés, subindo e descendo as ladeiras de Santana gritando todos, prestem bem atenção, todos gritando a mesma coisa:

 - "ÓÓÓÓi o picolé fri, gelado e doce e gostoso e saboroso que dá gosto na ponta da língua. Olha aêêêê. Picoléééé da Maringáááá olha aêêêê."

Gente, os anos se passavam e os vendedores mirins não mudavam o grito do picolé em uma vírgula sequer. A única inovação que tive oportunidade de presenciar no mercado foi quando surgiu uma nova sorveteria.

Jonas Guedes já era comerciante na cidade, era um cara brincalhão e gostava de tirar onda com todo mundo. Certo dia, não sei porque, resolveu abrir uma outra sorveteria também no centro da cidade. Comprou maquinário, conseguiu um ponto e no dia em que foi abrir o letreiro com o nome do estabelecimento eu estava passando pela rua e fiquei parado admirando o trabalho do letrista. O sujeito começou a riscar as letras e surgiu a palavra SORVETERIA. Em seguida o "artista" sacou do pincel e preencheu as letras, deu todo o acabamento e tornou bem visível a primeira palavra que identificava o produto oferecido pela casa. Ou seja, picolé. Em seguida começou a abrir as outras letras e no início surgiu a letra "A", em seguida a letra "L", continuando o trabalho surgiu os contornos da letra "P". Aí então o "artista" parou, quando percebeu que a parede estava no fim e que, se ele continuasse o trabalho, iria pintar a parede do vizinho. Ou o sujeito errou os cálculos ou não sabia calcular, o certo é que a maior parte do serviço já estava pronto e não tinha como remendar. A cagada foi tão grande que, qualquer que fosse a solução, seria necessário refazer todo o trabalho com sérios prejuízos tanto para Jota Guedes como para o pintor. Apesar de ter tido a honra de ser testemunha ocular desse "fato histórico" eu, apenas uma criança, não tive acesso aos termos do acordo entre Jonas e o pintor. Só sei que o coitado subiu novamente na escada e com muito jeito conseguiu abrir uma letra "I" bem no canto da parede sem invadir o espaço aéreo do vizinho. O nome que deveria estar escrito era "SORVETERIA ALPES", mas, desse dia em diante, quando passava um menino vendendo picolé com uma caixa de isopor pendurada no ombro, gritando, às vezes o script era assim:

 - "ÓÓÓÓi o picolé fri, gelado e doce e gostoso e saboroso que dá gosto na ponta da língua. Olha aêêêê. Picoléééé da Alpíííí olha aêêêê."

E assim colegas, desejo a todos um a boa semana e espero que no próximo final de semana aproveitem para tomar um bom sorvete, com calda, cobertura e uma boa companhia.

Saúde, luz e paz

Virgílio Agra

(escrito em 10/01/2011)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sorvete para enrolar a língua



Colegas de todas as datas

Há exatamente um ano, quando estávamos nesse momento de transição ano novo versus ano velho, tive o prazer de receber em minha casa uma jovem mexicana que visitava este grande país graças a um programa de intercâmbio cultural para jovens estudantes.

Andrea Rioseco Sanjuan, natural da cidade de Mazatlan, na beira do Oceano Pacífico, estava hospedada na casa de minha irmã Márcia, lá na capital pernambucana, enquanto uma sobrinha minha visitava as terras do Tio Sam. Durante o período de natal e réveillon, aproveitando as férias escolares, a garota nos agraciou com sua presença na nossa casa numa experiência que foi, sem dúvida nenhuma, enriquecedora e bastante agradável.

Durante sua estada em terras caetés tivemos oportunidade de conversar bastante sobre os mais variados temas como comidas, vestimentas, família, estudo, etcetera e coisa e tal. Nessa época do ano, lá no hemisfério norte é inverno, e é com frio e neve que se comemora o natal e a festa de ano novo. A influência do ambiente sobre a cultura de um povo é tal, que Andrea revelou nunca imaginar que as pessoas comemorassem o natal e o ano novo sem que houvesse neve. No réveillon de 2010, ela teve a experiência de participar pela primeira vez de uma festa de passagem de ano vestida de branco e vendo os fogos de artifício com os pés na areia de uma praia de águas mornas, no nosso jeito tropical de saudar o ano que se inicia.

No período em que a jovem mexicana esteve em nossa casa, tive oportunidade de conversar com seus pais através da grande rede e, arranhando meu "portunhol", disse que Andrea, ao sair da nossa casa, deixaria saudade. Qual não foi minha surpresa quando ela teve que explicar aos seus pais o significado de palavra tão significativa para nós: SAUDADE. Neste dia, soube que esta palavrinha só existia no português e que não havia substantivo equivalente nos demais idiomas. Fugindo a esta regra, descobri posteriormente que a palavra saudade também é encontrada no galego, um dialeto usado na região da Galícia, na Espanha, exatamente na fronteira norte do país de Camões.

Hoje, Andrea está de volta ao seu país de origem e na comemoração do seu natal, apesar do clima frio devido ao inverno, tem sua boca aquecida pela comida apimentada, enquanto sua presença aquece o coração da sua família. Enquanto isso, cá no hemisfério sul, uma família caeté passou os festejos de fim de ano dividida, pois chegou nossa vez de ter uma filha realizando intercâmbio em terras estrangeiras. Morando desde julho nos Países Baixos, Janaína, nossa filha mais velha, usufrui hoje não apenas da oportunidade de conhecer as quatro estações do ano, comer queijos fabricados com técnicas seculares e visitar moinhos de vento, mas, acima de tudo, tem se enriquecido graças ao contato com outras culturas bem como com o convívio com uma simpática família holandesa. Da mesma maneira, acredito que esteja proporcionando às pessoas com quem interage uma percepção positiva sobre o seu caráter como também sobre o seu país.

No mês de dezembro, enquanto passávamos o natal nas terras paulafonsinas com os demais membros da nossa família, Janaína cantava "Jingle Bells" nas frias terras de Van Gogh. Não satisfeita com o frio batavo, resolveu, juntamente com outras colegas brasileiras, passar o réveillon na cidade de Praga na república Tcheca e, enquanto em terras caetés estávamos vendo os fogos de artifício, vestidos de branco, com os pés na areia da praia e os termômetros marcando 25º C, na terra de São João Nepomuceno os termômetros marcavam -20º C.

Como diríamos no sertão: "Eiiiita frio da gota serena!"

A temperatura era tão baixa que o batom de uma das garotas congelou dentro da bolsa e faltou bem pouquinho para que as meninas também virassem picolé. Falando nisso, vocês sabem como se escreve a palavra "sorvete" em tcheco? Ganha um sorvete de duas bolas quem adivinhar. Em tcheco a sobremesa mais popular do mundo se escreve ZMRZLINA.  Dá para acreditar? A pronúncia é tão complicada que eu fico sem saber o que é mais difícil: dizer essa palavra ou aguentar o frio de lá. Porém, do jeito que a pronúncia é complicada, eu tenho a impressão que lá para aquelas bandas o sujeito que tem menos de dez anos de idade não sabe pedir esse produto.

Colegas de longas e de todas as datas, gostaria de desejar a todos vocês que, no ano que temos pela frente, tenham saúde para enfrentar com vigor os obstáculos da vida que surgem a cada dia, a luz da sabedoria para poder distinguir o bem do mal e, finalmente, o prazer da paz de espírito. A Janaína desejo um inverno com neve e frio ameno, campos floridos, uma praia no verão, paisagens de tirar o fôlego no outono e um maçarico para poder tomar ZMRZLINA. Para mim só peço forças para aguentar o peso da palavra saudade.

Saúde, luz e paz

Virgílio Agra.

(escrito em 06/01/2011)


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

E fui pro Recife, para ser tão somente sertão



Colegas de todas as origens

No início deste mês de dezembro, fiz uma breve incursão à capital pernambucana, cidade onde vivi dos dez aos vinte anos de idade. Fui encontrar os antigos colegas do Colégio Nóbrega, escola onde estudei durante sete anos. A visita às terras do Leão do Norte é sempre uma oportunidade de interagir tanto com as pessoas, amigos que lá deixei, quanto com a própria cidade. É uma oportunidade de observar e desfrutar das transformações pelas quais passamos, nós e a cidade, sem nunca perder, felizmente, as nossas identidades.

Já tive oportunidade de falar aqui nas Saudações Caetés sobre as impressões que tive quando cheguei ao Recife, ainda menino. Naquela época, uma das coisas que mais chamava a minha atenção eram os letreiros de neon instalados nas fachadas dos prédios. À noite, no centro da cidade, os prédios localizados na beira do Rio Capibaribe lançavam suas luzes coloridas sobre suas águas, multiplicando as cores e marcando minha memória até os dias de hoje. Com o passar dos anos tive ótimas oportunidades de conhecer a Veneza Brasileira tanto pela terra quanto pela água. Como timoneiro da equipe de remo do Sport Clube do Recife, naveguei não apenas pelo eixo principal do Capibaribe, do qual conhecia as curvas e bancos de areia, como também tive oportunidade de conhecer afluentes, mangues e canais. Naquele estuário, formado por vários rios, algumas vezes chegávamos ao ponto de nos conduzirmos de um rio para outro através de um emaranhado de canais, navegáveis apenas com a maré cheia. Ao longo do tempo em que lá vivi, tive a oportunidade de ver as obras de dragagem e retificação do leito do Capibaribe que contribuíram para livrar Recife das suas frequentes enchentes. Vi pontes serem demolidas, outras sendo construídas.

Hoje, como um simples visitante, falar das alterações pelas quais passou Recife ao longo dos anos é uma tarefa extensa e até cansativa, mas uma transformação que não apenas me impressiona como também me encanta naquela cidade é a recuperação da parte antiga da cidade, na área do cais do porto. No meu tempo, o bairro do Recife Velho era conhecido pelos seus prostíbulos. Ao atravessarmos a ponte Maurício de Nassau, o prédio que abrigava o "Chantecler" impressionava pelas suas características arquitetônicas enquanto que, mais adiante, o "Black Tie" chamava a atenção pelo seu grande letreiro. Hoje a coisa mudou, os prostíbulos foram fechados, lá na beira do cais a Praça do Marco Zero virou ponto turístico, a Rua do Bom Jesus deixou de ser endereço de pensões baratas e tornou-se um ponto de encontro agradável muito bem frequentado. As mudanças foram tantas que até o bairro deixou de ser Velho para receber o título de Antigo.

Foi nessa cidade de cultura efervescente onde comecei a sentir a força das minhas raízes culturais do sertão nordestino. Lembro-me de uma noite, quando já cursava a universidade, saímos, eu e meu primo Alberto, para nos encontramos com uns colegas no Bar Canal, lá na Avenida Agamenon Magalhães. Uma noitada repleta de muita conversa jogada fora e cerveja de goela a dentro que poderia ser uma entre tantas se não fosse o fato de sermos todos do interior de diversas cidades do sertão. Lembro-me bem que estávamos à mesma mesa estudantes de Alagoas, de Pernambuco e da Paraíba. A conversa rolava solta com cada um de nós contando causos e usando sem a menor cerimônia um linguajar que era comum a todos. Mas o que me chamou a atenção naquela ocasião não foi apenas o falar, mas sim todos os referenciais culturais daqueles rapazes que, apesar de serem de diversos estados, mantinham uma unidade bem clara nos seus valores.

Hoje, visitar as terras mamelucas do Leão do Norte, percorrer suas ruas e pontes e reencontrar velhos amigos do tempo do colégio é uma tarefa que me dá um profundo e irrecusável prazer. É gostoso apreciar a cidade fazendo uma gostosa comparação entre o passado e o presente, andar à noite pelo Marco Zero, pela Rua do Bom Jesus e chegar até a antiga Alfândega. A cidade, como se fosse um ser vivo mudou, como uma lagarta que se transforma em borboleta. Da mesma maneira, nós também passamos por transformações, uns quilos aqui, uma cor de cabelo ali... Sobre os aspectos físicos é melhor não comentar, porque o prazer é sentir que apesar das mudanças que fisicamente experimentamos, tanto pessoas como cidades, trazemos uma essência que permanece, pois é inerente à cultura de cada um e isso é o que une as pessoas entre si e estas às cidades.

No mesmo dia em que, às margens do Capibaribe, eu confraternizava com os velhos amigos de colégio, lá na beira da Cachoeira de Paulo Afonso, estava se formando a primeira turma do curso de Direito do Campus VIII da Universidade do Estado da Bahia. Como só soube da notícia duas semanas depois, só agora posso cumprimentar os meus ex-colegas de curso. Enquanto isso, deslizando mansamente, o Capibaribe continua se encontrando com o Beberibe, para juntos formarem o mar.

A todos os meus amigos uma boa semana e um bom natal.

Saúde, luz e paz

Virgílio Agra

(Escrito em 21/12/2010)

Falando sobre os lugares de Recife, lembro sempre de Alceu Valença, grande artista que exalta sua terra e encanta multidões. Uma de suas músicas por mim preferidas é, coincidentemente, "Pelas ruas que andei" aqui interpretada por músicos que representam uma nova geração da música popular brasileira, Nós4.


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