domingo, 24 de junho de 2012

Severino Zeppelin

Graff Zeppelin no Campo do Jiquiá, Recife - PE

(escrito em 16/08/2009)

Colegas de todos os círculos de amizades.

Diga-me quem tu conheces e eu te direi quem tu és.

Um dia, conversando com meu pai, ele me falou da ocasião em que viu nos céus um Zeppelin. O fato ocorreu durante uma viagem que ele fazia de carro de boi, entre o Sítio Caburé, onde morava com meus avós, e o povoado de Capelinha, a terra da minha avó, lá na beira do Rio Ipanema, no sertão alagoano. Disse-me que todos pararam para ver aquela maravilha no céu e, apesar de ser muito criança à época, tinha em torno de quatro anos de idade, falou-me da admiração que a passagem do dirigível provocara em todos. Eu fico imaginando o contraste, enquanto na terra uma família viajava num dos mais antigos meios de transporte, no céu passava o que havia de mais moderno em transporte de passageiros.

A era dos balões dirigíveis foi curta, mas a impressão que aquelas geringonças provocaram no povo do sertão mexeu com o imaginário daquela gente durante muitos anos. O fascínio provocado foi tamanho que durante muitos anos a palavra Zeppelin significava para o sertanejo uma coisa bonita, uma coisa grandiosa. Reflexo disto é que, até no cangaço, havia um cangaceiro que recebeu a alcunha de Zepelim.

Os anos passaram, meu pai tornou-se um adulto e o Brasil passou a viver a época em que as antigas estradas usadas pelos carros de bois começavam a ser melhoradas ou substituídas pelas estradas de rodagem, vias adequadas ao uso dos automóveis. Para  construí-las o governo primeiro criou o DNOCS, que tinha a atribuição de promover e executar todas as obras na região semi-árida do nordeste. Posteriormente, foi criado o DNER, que o sertanejo chamava de "Dê-Nê-Erre", com a atribuição específica nas obras rodoviárias. Em Santana do Ipanema foi constituída uma Residência do órgão para coordenar a construção e manutenção das estradas de rodagem no sertão alagoano. O quadro funcional da Residência do DNER tinha na sua composição desde um engenheiro, passando por funcionários administrativos, motoristas e mecânicos, até serventes que faziam os serviços gerais da unidade. Dentre estes últimos servidores havia um senhor chamado Severino.

Eu não consegui saber a cidade de origem de Seu Severino, soube apenas que era sertanejo, mas de outro estado, e que fixara residência em Santana do Ipanema por conta do emprego conseguido. Descobri que ele gostava muito de caçar e, como todo caçador, perdia o amigo, mas não perdia a história e, consequentemente, apesar da baixa escolaridade, tudo aquilo que ouvia, tinha algo a dizer sobre o assunto.

Nos tempos em que rádio era um luxo e televisão uma peça de ficção, os homens das cidades do interior costumavam encontrar-se todas as noites em uma praça da cidade para conversar, saber e comentar as últimas notícias, boatos e similares. Esses pontos de encontro eram chamados de "Senadinhos" e eu lembro-me que meu pai não perdia uma só das suas sessões. Esses "fóruns de discussão" eram bastante democráticos, participando deles pessoas das diversas classes e ofícios, e Seu Severino era também um dos seus frequentadores contumazes.

Certa noite, entre um assunto e outro, alguém se dirigiu para Seu Severino e perguntou:

 - Severino? Você conheceu o Zeppelin?

Seu Severino admitir que não soubesse ou nunca tinha ouvido falar de algo era uma parada que ele não podia admitir. Olhou sério para o seu interlocutor e sem titubear disse:

 - "Ói", o "Zé Pelim mermo" eu "num" conheci não, mas o "Ontonho Pelim, Pêdo Pelim, Chico Pelim"... Conheci todos eles muito bem.

A resposta teve tamanha repercussão que, desde aquele dia, até os dias de hoje, mesmo após a sua morte, o seu autor é lembrado como Severino Zeppelin.

Esse negócio de conhecer pessoas é realmente interessante. Vocês não vão acreditar o que aconteceu comigo esta semana. Encontrei com uns velhos amigos de infância e, enquanto tomávamos uma "meiota de cana" num bar da esquina, conversamos sobre os mais diversos assuntos. Sabendo que um dos membros daquele "Senadinho" era escritor, com vários livros publicados e membro da ABL, criei coragem e perguntei:

 - Ô Bigode? Você conheceu o Rodrigo Cruz?

Ele, que já tinha tomado umas quatro doses de Azuladinha, olhou para mim e com uma segurança de fazer inveja, respondeu:

 - Olhe... Hic, o Rodrigo Cruz, que por sinal é meu afilhado de casamento... Hic, eu não conheci não, mas o Osvaldo Cruz, Souza Cruz e Cruz Credo.... Conheci todos eles muito bem... Hic.

Aproveitando a oportunidade para desejar a todos uma ótima semana de trabalho, despeço-me citando um velho provérbio do sertão nordestino:

 "Boi se pega pelo chifre e homem pela palavra".

Saúde e paz.

Virgílio Agra.



terça-feira, 22 de maio de 2012

Pedido de cabeça

Araticum (esquerda) e Pinha (direita)
(escrito em 11/08/2009)

Colegas de todos os medicamentos.

A farmacopeia brasileira deveria ser considerada um elemento componente da cultura nacional. Graças à diversidade da nossa flora, a indústria farmacêutica produz uma variedade enorme de produtos baseando-se na capacidade curativa de plantas que já era conhecida pela cultura popular. Muitas dessas plantas eram cultivadas nos quintais das nossas avós e passaram a receber denominações que variavam de acordo com a região em que se situavam. Um grande exemplo dessa variedade e mistura de nomenclatura é a Pinha. Fruta bastante apreciada no sertão nordestino, também é denominada de Fruta-do-conde e Ata. Por sua vez, o Araticum, planta típica do cerrado, mas que também ocorre em menor proporção no sertão, recebe, da mesma maneira, a denominação de Fruta-do-conde, Ata, Marolinho e Cabeça-de-negro e foi baseando-se exatamente em alguns princípios ativos do Araticum que certa empresa começou a produzir um medicamento batizando-o de “Elixir Cabeça-de- negro”.

No último final de semana "dei uma chegadinha" ao sertão de Paulo Afonso, onde fui resolver uns assuntos e dar um abraço no meu velho pai. Dando uma volta pelo comércio, passei em frente à Farmácia do Peu e me lembrei de uma história que ouvi do seu proprietário.

Quando fui morar em Paulo Afonso, a mais de vinte anos atrás, conheci Peu como balconista numa rede de farmácias local. Ele é afrodescendente, mas me limitar a descrevê-lo apenas pela denominação “politicamente correta” da cor da sua pele, seria superficial e inquestionavelmente impreciso. Sempre me chamou a atenção o corte impecável do seu cabelo que ele mantinha com muito zelo. Sujeito alto, com mais de um metro e oitenta de altura, é muito elegante, não apenas pela sua postura física, mas também pelo jeito de falar, sempre em tom baixo, com uma voz calma e um sorriso que conquista todo mundo. A sua simpatia é tamanha que encontrar alguém que não lhe tenha uma palavra de elogio é tarefa incluída no rol das missões impossíveis. Além de atender no balcão, aprendeu a fazer curativos e tornou-se também um exímio aplicador de injeção, de modo que cheguei a conhecer pessoas que se referiam a ele como "Dr. Peu". Com muito trabalho e todas essas qualidades, hoje é dono do seu próprio negócio e tem uma clientela que com certeza não abre mão nem do seu atendimento, nem do seu sorriso. Mas vamos à tal história.

Peu me contou que um dia estava sozinho no balcão da farmácia e entrou um matuto (termo usado para designar aquele que vive na zona rural, na roça, no mato, portanto, matuto). Ao prontificar-se para atendê-lo, o cliente titubeou e todo encabulado falou:

 - Eu quero...

E não terminou o que queria dizer.

Peu, com aquela calma dele, olhou para o homem e disse:

 - Pois não Senhor? Pode falar que eu atendo.

O cabra olhou para um lado e para o outro, olhou para o fundo da farmácia como se esperasse surgir alguém e todo envergonhado falou:

 - Eu queria...

E não concluiu. O sujeito "tava" parecendo mulher quando ia comprar Modess. Naquele tempo, uma mulher só comprava absorvente numa farmácia que tivesse outra mulher para atender e a vendedora teria que ter o cuidado de já trazer o produto embalado em papel de embrulho, para não chamar a atenção dos demais presentes.

 - Pode pedir Senhor. Não se acanhe, não.

O sujeito olhou mais uma vez para o fundo da farmácia e chegando a conclusão que não havia outra pessoa para atendê-lo, respirou fundo, coçou a cabeça e todo encabulado olhou para Peu e disse:

 - Eu queria... "Cabeça de Vosmecê".

Pois bem colegas, enquanto isso, num "certo país emergente" onde faltam escolas e creches, crianças são esmagadas por tratores enquanto dormem num lixão e parlamentares se digladiam dizendo e fazendo o que bem querem sem o menor escrúpulo. Parece até que, vergonha daquilo que diz, ou daquilo que pede, só quem tem mesmo... é um pobre matuto.

Mas nem tudo está perdido, o prefeito da capital do Paraíso das Águas já anunciou que vai cercar e iluminar o lixão da cidade. Que se faça... a luz.

Aproveitando a oportunidade da homenagem aos pais, ao meu em particular, mando um abraço ao carioca e caeté honorário Leandro Neves, que viveu no último final de semana o seu primeiro Dia dos Pais. Uma ótima semana para todos e todas.

Saúde e paz.

Virgílio Agra.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Nem toda taturana é lagarta de fogo




(escrito em 05/08/2009)

Colegas de todas as biodiversidades!

Sempre enaltecendo a variedade cultural do nosso grande país, estava refletindo esta semana sobre algumas coisas que, a depender da região, pode ter nomes completamente diferentes. O "pernilongo" do sul/sudeste é conhecido no nordeste como "muriçoca" e no norte como "carapanã". O cajá do nordeste é conhecido no norte como taperebá, enquanto que no sudeste cajá é o nome de outra fruta, que por sua vez é conhecida no nordeste como cajarana (Ô confusão da peste).

Quando eu era criança, na minha pequena cidade lá no sertão alagoano, lembro-me que próximo à minha casa havia muitos terrenos baldios e pequenos sítios que invariavelmente eram cobertos de mato. Às vezes entrávamos nessas áreas para brincar de polícia e ladrão, para caçar passarinhos (eu era um péssimo caçador, nunca matei nada) ou simplesmente para explorar o terreno. Lembro-me também que tínhamos um cuidado especial com urtigas e lagartas de fogo. Tive o desprazer de alguns encontros casuais com as urtigas, mas, felizmente, com relação às lagartas de fogo, contentei-me com os relatos dos colegas que juravam que à noite faíscas podiam ser vistas saltando desses animais.

Consultando uma enciclopédia on-line, descobri que o bicho que eu conhecia como lagarta de fogo, em alguns lugares é conhecido como marandová e na maior parte do Brasil é conhecido como taturana, palavra originada do tupi: tata = "fogo" e rana = "semelhante". Esse gênero de lagartas é dotado de pelos capazes de liberar um veneno que pode provocar queimaduras na pele, hemorragia, insuficiência renal e até mesmo provocar a morte. O que as enciclopédias não ensinam, pelo menos por enquanto, é que em terras caetés a palavra taturana ganhou um novo significado.

Há uns dois anos atrás, a Polícia Federal desencadeou uma operação policial para apurar o desvio de aproximadamente 300 milhões de reais da Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas. Tal ação foi denominada de "Operação Taturana". O desenrolar dos fatos incluiu o afastamento de um pouco mais de dez deputados estaduais, que por este motivo passaram a ser reconhecidos como "taturanas", uma verdadeira ofensa as pobres lagartas de fogo.

Após passarem mais de um ano afastados das atividades parlamentares, apesar de continuarem recebendo durante todo este tempo seus vultosos subsídios, a
aproximadamente uma semana atrás, graças a uma decisão judicial superior, os "taturanas" retornaram aos seus cargos, um verdadeiro atentado contra a dignidade dos cidadãos e cidadãs de bem do meu pobre estado.

Não satisfeito com o escandaloso retorno ao cargo, o "deputado" (assim, entre aspas e com letras minúsculas) Cícero Ferro resolveu atacar o ex-Desembargador Antônio Sapucaia, responsável pela decisão que levou ao afastamento da maior parte dos "taturanas". Talvez pelo fato de não ter, como as lagartas de fogo, pelos capazes de ferir ou machucar, o "parlamentar" resolveu usar a língua para liberar todo o seu veneno, desferindo uma campanha difamatória contra o ex-Magistrado, acusando-o de ter recebido quantia indevida do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Indignado com o veneno verbal do "taturana", Sapucaia lançou um desafio público ao agressor que transcrevo na íntegra conforme publicado no Jornal Extra Alagoas em 29/07/2009.

“Certo deputado estadual foi à tribuna da Assembléia Legislativa e a um dos programas
da Rádio Gazeta e, de forma injuriosa e atrevida, acusou-me de haver desviado R$
1.740.000,00 do Tribunal de Justiça de Alagoas.
Não conheço pessoalmente o iminente parlamentar (escrevo com “i”, pois ele vive sempre na iminência de praticar algum mal); nunca lhe fiz crítica alguma; nunca julguei nada, na condição de magistrado, contra ou a favor dele, ignorando, portanto, a sua existência, salvo as vezes que o vejo na televisão algemado e conduzido à cadeia.
Por uma questão de assepsia moral, não vou citar-lhe o nome. Devo dizer simplesmente
que, mesmo que eu tivesse a vocação do parlamentar, eu jamais poderia ter desviado
um centavo que fosse do TJ de Alagoas, porquanto nunca exerci qualquer função
administrativa naquela Assembléia Judiciária. Tudo que recebi ao longo de 43 anos de
serviço público, dos quais 37 anos foram dedicados à magistratura, me foi devido.. Desafio a quem quer que seja a provar o contrário, inclusive o próprio Tribunal de Justiça e o Conselho Nacional de Justiça. Jamais me aconchegou à conta bancária alguma importância a que eu não fizesse jus, especialmente a fortuna mencionada irresponsável e levianamente pelo parlamentar.
Se o deputado não gosta de mim por haver afastado das atividades parlamentares
nove colegas seus, não havia, como não há, a mais mínima razão para injuriar-me de
forma tão desbragada e libertina. Importante é pontuar que, ao afastá-los temporariamente do Legislativo estadual, fi-lo – conforme se vê no meu despacho –, com fito de que evitassem exercer qualquer influência na colheita de provas na ação em andamento, atendendo a uma postulação do Ministério Público. Apenas cumpri o meu dever, e qualquer magistrado de bom senso teria feito a mesma coisa. Diga-se que em momento algum eu os chamei de ladrões ou bandidos, uma vez que as provas carreadas para os autos dependiam de apuração a ser feita na instrução do processo, que deveria ficar a cargo do juiz competente. Se houve demora na colheita probatória, não me coube nenhuma culpa, como se depreende das afirmações feitas pelo Dr. Gustavo Souza Lima,
que justificou as razões da demora no andamento das ações ajuizadas em desfavor dos
parlamentares afastados.
Portanto, eu não merecia as pedradas verbais que me foram atiradas pelo neurótico
parlamentar. É possível que no fundo seja ele uma pessoa de bons predicados, mas seu
comportamento e as suas manifestações na tribuna da Casa de Tavares Bastos e através da imprensa mostram, às completas, verdadeiros desvios de conduta, que podem
ser corrigidos por meio de tratamento psiquiátrico ou, talvez, psicológico. O parlamentar
é médico e poderá recorrer aos colegas do ramo especifico, visando curá-lo de seus
destemperos e das suas diatribes, evitando, assim, que Hipócrates e Tavares Bastos
possam se contorcer nos respectivos túmulos, arrependidos de terem desperdiçado os
seus ensinamentos.
Não pretendo polemizar com o deputado; apenas me limitarei a ajuizar uma ação por
danos morais, objetivando uma indenização que se destinará à Fazenda Esperança, em
Marechal Deodoro, que dedica suas atividades à recuperação de drogados. Não é sem
razão que sempre achei que qualquer tormenta ou dor moral não pode ser ressarcida
com dinheiro, mas, sim, deve ter função meramente pedagógica, sobretudo se o dinheiro
é de origem duvidosa. Insanidade, mendacidade e cleptomania são patologias que,
salvo engano, podem ser curadas, bastando ter coragem e disposição para fazê-lo.
Dispondo dos poderes e da impunidade que o cercam, por força do mandato parlamentar,
o deputado poderá mandar eliminar a minha vida, como costuma fazer, utilizando
armas e capangas pagos com dinheiro público. Entretanto, em nenhuma circunstância
ele jamais poderá eliminar a minha dignidade, mesmo usando da sua baba peçonhenta.
Quanto aos 15 minutos de fama que me foram atribuídos pelo parlamentar, posso afirmar que foram decorrentes do cumprimento do dever. E se cumprir o dever resulta em fama, asseguro de consciência tranquila que eu a desfrutei durante 37 anos, em vez de apenas 15 minutos.
Por derradeiro, lanço um desafio público ao deputado. Convido-o a provar, em documento que devamos sacramentar em cartório, se em qualquer tempo da minha vida
pública eu usei de algum centavo que não me fosse devido, constando o seguinte compromisso: se ele provar o contrário, eu renunciarei aos proventos que recebo como desembargador aposentado; se ele não o fizer, após as devidas formalidades, o deputado
renunciaria ao mandato e à atividade política, para o bem e a felicidade do povo alagoano.
Antônio Sapucaia*"
(*) Desembargador aposentado, atual Diretor-Presidente do Detran-AL.

Continuando os meus "profundos" estudos de entomologia via internet, descobri também que a mesma natureza que gerou as taturanas, também gerou os seus inimigos naturais, quais sejam, uma espécie de mosca e outra de vespa que depositam seus ovos no corpo das lagartas, cujas larvas alimentam-se das suas entranhas. Paralelamente ao que ocorre na natureza, nas mesmas terras caetés, hoje parasitada pelos "taturanas", também encontram-se os seus respectivos inimigos naturais, quais sejam, cidadãos e cidadãs de bem, pessoas que através de ações mais incisivas, a exemplo das vespas, dá uma boa e merecida ferroada nessas venenosas criaturas, como também encontra-se um eleitorado que, a depender da respectiva escolha, pode muito bem, a exemplo de uma mosca, estragar a sopa de certa categoria de indivíduos que vive dizendo por aí que "se lixa para a opinião pública".

Soube ontem que o Ministério Público de São Paulo espera recuperar 300 milhões de reais desviados dos cofres públicos pelo Sr. Paulo Salim Maluf. Coisas do nosso país, ao mesmo tempo tão diferente e tão igual. As quantias desviadas são iguaiszinhas, como iguais também são as expectativas do povo de norte a sul.

Pois bem colegas! Aliviado por me livrar da "porcaria" de uma gripe, em tempos de gripe suína, aproveito a oportunidade para transmitir a todos desta vez as minhas saudações vespasianas.

Saúde e paz

Virgílio Agra.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Nem todo sapato é calçado


(Escrito em 26/07/2009)
Colegas de todos os aumentativos e diminutivos!
Qual é o diminutivo de texto?

A riqueza do nosso idioma, ao mesmo tempo em que nos encanta também nos prega algumas peças. Num país grande como o nosso, de acordo com a região, idade, escolaridade e até mesmo de acordo com o meio de convivência de cada um, as palavras passam a ter os mais diversos sentidos.


Foi me lembrando dessas particularidades linguísticas que veio a minha memória uma das minhas tias. Dentre todas elas, Tia Rosa sempre teve um comportamento bastante singular. Mulher de opinião firme, nunca foi do tipo que abre mão de suas convicções simplesmente para agradar alguém. Bastante trabalhadora, mesmo sentindo o peso da idade avançada, trabalha até hoje na farmácia junto ao marido, meu Tio Alberto. Sempre foi uma pessoa muito prestativa, não medindo esforços para ajudar quem dela precisasse. No sertão de Alagoas, na época em que os médicos eram raros e um hospital era peça de ficção, conta minha mãe, que era Tia Rosa quem cuidava dela quando adoecia. Mãe de nove filhos sempre foi rigorosa na educação dos mesmos, mas, como toda mãe zelosa, era também uma ferrenha defensora das suas crias.
Como toda e qualquer pessoa, Tia Rosa tinha seus hábitos de falar que até hoje, muito provavelmente, mantém. Alguns deles ficaram gravados na minha memória, como, por exemplo, quando éramos criança e porventura não nos comportávamos de maneira adequada à mesa ela dizia logo:
- Tenha estilo!
Fazendo assim referência ao devido uso da boa educação.
Quando a gente falava alto ela perguntava logo:
- Parece que você está nas brenhas?
Falava assim, fazendo uma alusão às pessoas que viviam no mato e que tinham que falar aos gritos, por causa das distâncias. Mas, talvez, a maior pérola do seu falar era o hábito de chamar igualmente todos os tipos e tamanhos de sapatos, sandálias, chinelos, alpercatas, tamancos e similares simplesmente como pelo termo de calçado.
Eis que há uns vinte anos atrás, chegou aos ouvidos de Tia Rosa um boato que uma amiga dela estaria espalhando que uma de suas filhas era "sapatão". Apesar do seu reconhecido recato diante do uso de certas palavras, ela, como o restante deste grande país, sabia muito bem o significado daquele termo e resolveu colocar o assunto em pratos limpos. Ninguém iria denegrir a imagem de uma filha sua sem que ela prontamente a defendesse. Assim sendo, procurou a suposta caluniadora e não contou conversa, foi direto ao assunto: - Me diga uma coisa? É verdade que você anda espalhando por aí que minha filha é "calçadão"?
É certo que, diante da inesperada pergunta, Tia Rosa teve que primeiro explicar o que ela queria saber, para que em seguida tudo ficasse esclarecido, tanto com relação à notícia, quanto à suposta autoria. Felizmente tudo foi devidamente esclarecido, preservando-se assim uma velha amizade.

Como parte da minha programação de férias, ao voltar dos Passos de Anchieta, no Espírito Santo, dei uma esticadinha até a Cidade Maravilhosa. Pude rever os meus colegas de trabalho, o que foi para mim um imenso prazer. Mas, como não poderia deixar de ser, aproveitei a noite para rever os bares do Rio, uma atração à parte daquela cidade maravilhosa. Então, lá estava eu, minha esposa Eliane, Penha, Leandro, Gaucho e também Marcelo Leite. Tomamos uma rodada de chope na Lapa, acompanhada de um monte de conversa jogada fora, outra rodada no Amarelinho da Cinelândia, mais outro monte de conversas fiadas e brincadeiras e assim se fez nossa noitada que com certeza será lembrada na posteridade.


Noutro dia, tivemos o prazer de fazer um verdadeiro city tour pela mais bela paisagem urbana do mundo, tendo como nossos anfitriões os caetés honorários Ivan Varella e sua esposa Juçara, com direito a apreciar o céu da praia de São Conrado colorida por uma dezena de parapentes. Foi um belo passeio sem dúvida nenhuma, lamento apenas que não pude rever os “sapatões”, digo, os calçadões de Copacabana.


Gostaria de agradecer a receptividade que tive na Cidade Maravilhosa, bem como em Vila Velha - ES, mas, a propósito do convite da caeté honorária Graça Uchoa, para participar da corrida Garoto agradeço muito, mas, infelizmente, não participarei deste evento, pois ouvi dizer que o fantasma de um famoso pop star já garantiu presença na "corrida ao garoto" e eu tenho muito medo de assombração. Huuhuuhuuhuu....


Pois bem caros colegas, e mais uma vez, enviando para vocês um dos meus textículos, me despeço desejando uma boa semana de trabalho a todos.


Saúde e paz


Virgílio Agra.


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domingo, 1 de abril de 2012

Um caeté nos Passos de Anchieta


(escrito em 16/07/2009)

Colegas de todos os labores.

Como vocês, eu também não sou de ferro e, graças a Deus, estou em gozo de férias, algo que não tive o prazer de usufruir desde janeiro de 2004. Logo, enquanto vocês estão aí no exercício das suas atividades corriqueiras, eu aproveito este esperado momento para andar pelo mundo. Andar a pé, de carro, de avião... Andar para ver ou rever parentes, amigos, lugares e também para realizar antigos projetos.

Falando em projetos antigos... Antigamente, no tempo em que o naturismo era prática corriqueira nas praias brasileiras, o Padre José de Anchieta cansou da garoa paulista e, descendo a serra, foi viver no litoral. Foram muitas idas e vindas, até que ele resolveu montar uma missão num ponto do litoral da capitania do Espírito Santo chamado de Rerigtiba. A missão ficava a uma distância de aproximadamente 100 quilômetros de Vitória. Como naquele tempo não havia linhas de ônibus naquelas bandas, o padre se acostumou a ir de Vitória a Rerigtiba a pé, e fazia isso tantas vezes e tão rápido que, segundo fontes fidedignas, já tinha índio que chamava a ele de fuxico, de tanto que ele andava. O apelido só não pegou porque Anchieta, apesar de andar descalço, bateu as botas numa das suas estadas na missão. A verdade é que os nativos gostavam do "homi" e como última homenagem resolveram levar o defunto nas costas até Vitória, sendo esta sua última caminhada.

O tempo passou e na última década do século passado, alguns descendentes do processo colonial-miscigenador resolveram refazer o caminho percorrido pelo jesuíta entre a cidade de Vitória e a antiga Rerigtiba, hoje cidade de Anchieta. A idéia atraiu outras pessoas até que, em 2009, na 12ª edição dos Passos de Anchieta, este humilde caeté juntou-se a outros 4.000 malucos e passou 4 dias caminhando, refazendo esta trilha histórica.

Na manhã do dia 11 de junho, tendo como ponto de partida a catedral metropolitana de Vitória, iniciamos a jornada. Como companheiro de viagem, contei com o primo e caeté honorário Paulo Uchôa, um veterano dos Passos. Descemos a escadaria em frente ao Palácio Anchieta, sede do governo capixaba, e seguimos pela avenida que margeia a baía de Vitória em direção ao histórico Convento da Penha em Vila Velha. Continuando, percorremos o calçadão da orla marítima em direção à Barra do Jucu (ô rima esquisita!).

A organização do evento colocava ao longo do percurso vários pontos de apoio, denominados de oásis, onde era servida água e frutas para os andarilhos. Fazia um sol de rachar, as pernas começaram a doer e os pés esquentaram como eu nunca havia sentido antes. Num dos oásis uma alma caridosa entregava aos participantes um sachê de protetor solar e outro de relaxante muscular. O meu pescoço ardia por causa do sol e eu prontamente resolvi passar o protetor solar, ao esfregar o produto no pescoço comecei a sentir um cheirinho de cânfora, aí resolvi conferir a embalagem do produto e qual não foi minha surpresa, eu havia colocado o protetor solar no bolso e havia esfregado o relaxante no pescoço que ficou bem ardido, mas pelo menos ficou cheiroso.

Quando chegamos à Barra do Jucu a Banda de Congo Mestre Honório se apresentava saudando os caminhantes, mas eu confesso que não pude apreciar a coisa muito bem, porque minhas pernas doíam tanto que eu só pensava como seria o dia seguinte. Mas, para minha tranquilidade, após uma boa noite de sono amanheci novinho em folha e pronto para a próxima etapa.

O segundo dia, entre a Barra do Jucu e a praia de Setiba, foi o de percurso mais longo, 28 quilômetros. Nele o andarilho caminha pela areia de praias desertas e estas são tão longas que a vista não alcança o seu final, sendo um bom teste para a sua força de vontade.

No terceiro dia, entre Setiba e Meaípe, enfrentamos chuva durante toda a manhã e um probleminha que o padre Anchieta não tinha naquele tempo. A organização do evento teve que pedir permissão de passagem a uma série de condomínios que privatizaram uma sequência de praias. Apesar de ser um trecho muito bonito, tivemos que caminhar sob os olhos de zelosos seguranças que tinham como missão garantir que ninguém tentasse um desvio na rota. O pior, no entanto, estava por vir. Paulo me contou que em Meaípe havia um delicioso bolinho feito com massa de aipim, que eu conheço como macaxeira, recheado e frito no óleo. Após a longa caminhada eu não pensava em outra coisa, exceto provar do tão decantado bolo. O danado do bolo realmente era muito bom, o problema é que o óleo da fritura causou um verdadeiro estrago, me obrigando a passar a noite caminhando da cama para o banheiro e vice e versa.

O último dia, entre Meaípe e Anchieta, foi o mais curto e o mais descontraído. Eu e Paulo fizemos amizade com outros andarilhos e entre causos e piadas chegamos, após subir uma escadaria, à Igreja Matriz de Anchieta onde a comunidade aplaudia cada um dos andarilhos que chegava. Neste dia conheci uma senhora, perguntei sua idade e ela me respondeu ter setenta anos. Continuando a conversa ela me contou ser aquela a sexta vez que participava dos Passos e que o seu filho, preocupado com sua saúde, havia dito que ela não iria participar daquele evento nem amarrada. Decidida, ela não pensou duas vezes, saiu de casa dizendo que iria para a casa de uma irmã e estava lá, caminhando alegre e satisfeita. Finalizando ela ainda me disse rindo.

- Ele nem sabe onde eu estou agora.

Uma coisa que muito me impressionou, foi a receptividade que tivemos ao longo de todo o trajeto por parte das diversas comunidades. Em Vila Velha uma família tradicionalmente oferece um café da manhã aos andarilhos. Em Ponta da Fruta a comunidade disponibilizava uma mesa com café, leite, pães, bolos e biscoitos, servindo a todos com muito boa vontade. Em alguns lugares grupos folclóricos se apresentavam para nós, em outros recebemos souvenires e até tapetes vermelhos eram colocados para nos saudar. A receptividade era tamanha que em Ubu e em Anchieta moradores nos convidaram para tomar uma dose de cachaça com direito a um tira-gosto e como eu não queria ser grosseiro... Aceitei, né?

A participação nos Passos de Anchieta foi a concretização de um velho sonho, mas, com toda sinceridade, venho aqui não apenas para contar a vocês uma parte das minhas férias, mas, principalmente, para fazer uma justa homenagem a um dos estados mais bonitos do Brasil e ao povo espírito-santense, um povo simpático, acolhedor e com certeza muito corajoso, porque para carregar um defunto nas costas por cem quilômetros e ainda ter uma bandeira cor-de-rosa é preciso ter muita coragem.

Aproveitando também, gostaria de apresentar o meu profundo respeito ao Sr. Virgílio Ribeiro, que apesar dos seus 87 anos cumpriu todo o percurso com uma disposição de fazer inveja a muita gente. "Cabra bom!". Também, com um nome desses?

Caros colegas, ao mesmo tempo em que quero desejar a todos um bom final de semana gostaria de perguntar:

- Na certidão de óbito de Michel Jackson o campo destinado à cor do falecido foi preenchido com "Black or white"?

Saúde e paz

Virgílio Agra

PS: Da minha participação nos Passos de Anchieta trouxe um monte fotos e um CD, presente de uma prima, com músicas de congo. A combinação dos dois gerou um pequeno vídeo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Comedor de farinha

Casa de Farinha - Obra do Mestre Vitalino
(escrito em 02/06/2009)

Colegas de todos os apetites.

Quem gosta mais de farinha? Um alagoano ou um carioca?
Pensem... pensem... pensem mais um pouco...

Eis que no último final de semana tive a felicidade de reencontrar uns velhos amigos. Encontramo-nos eu, Tetéu, Ezequiel e Animal. Foi uma tarde agradabilíssima, onde pudemos relembrar velhas histórias e apreciar o novo colorido capilar uns dos outros. Entre uma cerveja e outra descobri os dotes culinários do meu amigo Tetéu, carioca, torcedor do fluminense e o maior comedor de farinha que conheci em toda minha vida.

Quando ainda éramos estudantes, eu cursava engenharia e eles jornalismo. Eu estudava de manhã e eles no horário da tarde. A princípio não teríamos motivos para nos tornarmos amigos, exceto pelo fato de que a namorada de Tetéu e a minha estudavam juntas e este talvez tenha sido o fator de estabelecimento dessa boa amizade. Apesar de eu ser da área de Ciências Exatas e eles das Ciências Humanas, compartilhávamos ideais comuns e acredito que esse convívio tenha influenciado nessa minha mania de ficar escrevendo para os amigos. Como ninguém é de ferro, sempre que podíamos, usávamos a velha desculpa de bater um papo para tomarmos, de vez em quando, uma "cervejinha" bem gelada. Na hora de pedir um tira-gosto, tomávamos sempre dois cuidados, o primeiro é que este tinha que ser o mais barato e o segundo é que tinha que vir acompanhado com farinha, porque Tetéu só comia com aquele complemento.

Certa feita, nós fomos passar um final de semana na casa dos meus pais em Paulo Afonso, lá no sertão baiano. Lá passeamos, visitamos os canions do São Francisco e em casa minha mãe se esmerava por receber bem os meus amigos. As mães você sabem como são, dentre outras coisas, sempre se preocupam se seus filhos estão bem alimentados. Durante as conversas que tínhamos à mesa ela descobriu que Tetéu era um grande comedor de farinha e, visando agradar, presenteou-o com um saquinho deste produto, algo em torno de 2 a 3 kg. Não era uma farinha qualquer, era uma farinha bem alvinha e bem fininha, que denominávamos "Farinha de Sergipe". Quando o carioca pegou o pacote, parecia jogador de futebol americano quando pega aquela bola que não é uma bola. Partiu para o quarto para abrigá-la imediatamente no fundo da sua mala. Só faltou gritar "touch down".

Em Maceió, Tetéu morava em uma casa com outros estudantes, vocês sabem como é, para rachar as despesas. Porém eu soube que só as despesas foram compartilhadas, porque a farinha... ele escondeu em baixo da cama e não dividiu com ninguém.

Caros colegas, numa semana em que um jornal local divulgou um relatório do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, no qual alguns desembargadores são acusados de terem proferido decisões que significaram uma grana extra nos seus próprios bolsos, a imprensa mundial noticiou que um avião despencou no Atlântico fazendo mais de 200 pessoas virarem comida de peixe e eu trabalhei feito a peste, só me resta noticiar que, após muita chuva, em terras caetés o sol voltou a brilhar, o mar está calmo e o céu está azul... muito azul.

Aproveito a oportunidade para, tardiamente, desejar a todos uma boa semana e aos tripulantes da corveta Cabocla, que partiu do porto de Maceió para procurar pedaços do avião caído, muito sucesso na sua missão.

Saúde e paz

Virgílio Agra.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Remédio para os nervos


(escrito em 24/05/2009)
Colegas de todas as receitas caseiras
A cultura popular é de uma variedade espantosa. Variedade esta que se manifesta na música, na culinária, nas manifestações religiosas, vestimentas, falares e, como não poderia deixar de ser, nas fórmulas e receitas contra todos os tipos de mazelas. De família para família, de região para região estabelece-se a crença na capacidade curativa dos mais diversos elementos, desde ervas que podem ser plantadas num vaso numa varanda, até remédios, comercializados normalmente nas farmácias, aos quais se atribui a capacidade de curar males além daqueles com indicação constante na bula.
Esta semana, adentrando a uma farmácia próxima a minha casa, verifiquei nas suas prateleiras alguns rótulos, velhos conhecidos. Lá estavam o fortificante Biotônico Fontoura, que como o próprio nome diz é o tônico da vida. Encontrei também o tradicional Leite de Magnésia de Philips, que pelas suas propriedades laxantes acredito ser produto muito consumido no meio político deste país. Outro produto que me chamou a atenção foi o Elixir Sanativo, cicatrizante produzido desde 1888, muito usado no Nordeste, o qual eu mesmo dou testemunho da sua eficiência. Um remédio que me chamou particularmente a atenção foi a Emulsão Scott. Este último trata-se na verdade de óleo de fígado de bacalhau e é usado há muitas décadas contra os casos de carência de vitamina D. Comercializado em frascos em cujos rótulos aparece um homem carregando um grande peixe amarrado às costas, ficou conhecido popularmente como "o remédio do homem com o peixe nas costas" ou simplesmente "o remédio do peixe nas costas".
Quando morei no sertão, minha esposa foi durante alguns anos chefe do Centro de Saúde de Olho D'água do Casado – AL, uma pequena cidade da região. Certo dia chegou ao seu conhecimento um diálogo ocorrido entre duas mulheres enquanto esperavam atendimento.
Uma delas falou:
- Mas "mulé", eu ando num "nelvoso", mas num "nelvoso" tão grande "mulé", que já não sei o que fazer.
- "Apôis mulé", vou "lhe" ensinar um remédio que é bom demais.
- "Vige mulezinha".. "Apôis" diga logo que tô muito precisada.
- "Ói". Pegue três ovos de pata de "premeira" postura, mas só serve se for de "premeira" postura, bata no liquidificador com um frasco de "peixe nas costa" e tome com um comprimido de "clorofenicol" que é "tiro-e-queda".
Naturalmente esta "receita" deu muito o que falar. O ingrediente que mais chamou a atenção foi o tal do "clorofenicol", que soubemos posteriormente tratar-se de um antibiótico usado entre outras coisas em alguns casos de febre tifóide e cujo nome correto é cloranfenicol.
À semana passada não pude escrever para vocês por conta de uma série de fatores, trabalho, família e outros compromissos mais. Além disso, tive o desprazer de ouvir um deputado declarar que está se "lixando para a opinião pública" enquanto outro, apesar de estar com a carteira de motorista cassada, dirigiu bêbado, em alta velocidade e matou dois jovens. Todos esses acontecimentos na verdade me deixaram com um "nelvoso", mas um "nelvoso" tão grande que eu gostaria de pedir que, caso alguém tenha uma pata de "premeira" postura, por favor, me envie três ovos, porque o "peixe nas costas" e o cloranfenicol eu consigo por aqui.
Colegas, embora os noticiários nos bombardeiem com tantas notícias desagradáveis, gostaria de desejar que todos acreditem ser possível ter uma semana melhor, apesar de reconhecer que, diante da conjuntura, um desejo como este é o equivalente a contar com um ovo no... da galinha. Ou seria... da pata? Hum... Acho que tanto faz.
Saúde e paz
Virgílio Agra
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